Opinião: Contributos (III) – Aproximar Coimbra do mundo

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Gil Patrão

Coimbra teve sempre acesso fácil a qualquer lugar do país, pela profusão de vias de comunicação terrestres que a servem, mas esta condição natural não basta para a colocar no centro do mundo.

Hoje em dia há que facilitar o acesso instantâneo ao que se passa no universo, através das redes mundiais de comunicações, e facultar o fluxo rápido de pessoas e bens a qualquer parte do globo, pois os empresários só se localizam em locais atrativos, competitivos e com acesso célere a um aeroporto. Sem dinheiro para construir um perto daqui, este talvez seja o desafio principal de Coimbra, para atrair mais capitais e investidores nacionais e estrangeiros!

Coimbra tem uma população flutuante de enorme riqueza, pela juventude e esperança de tanta gente que a procura para estudar nas suas múltiplas escolas e universidades, mas que mal terminam os estudos a abandonam, por falta de empregos que aproveitem as capacidades e inteligências que desenvolveram. Há muito assim é, mas Coimbra permanece apática face à perda continuada dos talentos que forma, e que, pasme-se, parece que tal nunca a atormentou…

Coimbra devia ser, desde há muito, uma cidade em que o acesso às redes “wi-fi” fosse gratuito. E tendo sido pioneira na mobilidade elétrica, nunca devia ter desistido dos carros elétricos e dos “trolley-bus” que tão bem a serviam. A falta de modernidade atual da cidade derivará mais de visões curtas dos seus líderes, quanto às necessidades das populações num planeta que evolui continuadamente, do que da falta de capacidade orçamental para aproximar Coimbra do mundo.

Coimbra precisa de acordar da letargia em que sobrevive, alheada das potencialidades que tem, e que tarda em saber aproveitar. A Câmara é só um dos atores do imobilismo em que a urbe permaneceu ao longo da noite fascista, e de que nunca mais acordou, nem com os alvores da já muito longa madrugada democrática, pelo que a culpa do que acontece deve ser assumida por todos, pois se o povo o exigisse, os autarcas de Coimbra já teriam ultrapassado anacronismos…

Coimbra precisa desesperadamente de investimentos empresariais que alterem a realidade triste em que vive. São as empresas, que competem globalmente entre si, que podem mudar a cidade, pelo que a Câmara Municipal devia acarinhar, apoiar e simplificar a vida a quem quer investir. Não se aceita que funcionários que devem servir o povo emperrem o desenvolvimento, e menos se tolera que os que elegemos para gerirem as autarquias não os motivem, e não agilizem uma gestão autárquica que condiciona demais a vida de quem vive, trabalha e investe na nossa terra.

Nas próximas eleições autárquicas não interessa a cor política de qualquer candidato. Interessa sim que saibam o que querem, e que o querem é o que a cidade mais precisa! Há que saber atrair investidores, e vender uma imagem renovada de Coimbra.

Temos que garantir que as taxas municipais da cidade serão as mais competitivas, e que o município reagirá à concorrência. Se qualquer autarquia do país apoiar mais, Coimbra terá de ser capaz de a igualar…, e até superar!

A vida é uma luta constante, que não tolera falhas de determinação e de imaginação. Coimbra tem de ser capaz de motivar os melhores candidatos a concorrer à Câmara para poder escolher quem a deve dirigir, sem se subordinar a interesses políticos. Gestores capazes não abundam, mas alguns não podem continuar a liderar territórios que souberam transformar em casos de sucesso; de há muito admiro o desenvolvimento de Cantanhede, tão perto de Coimbra que um reside aqui.

Quem viu Cantanhede antes e a observa agora, vê a valia e obra (em três mandatos e numa terra tão pequena) de um gestor autárquico excecional! Quando terá Coimbra um assim?

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