Opinião – Pós… verdadinha!

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TEOTÓNIO CAVACO

TEOTÓNIO CAVACO

Para os editores dos dicionários Oxford, cada ano deve ter uma palavra, e 2016 (muito por causa do Brexit e de Trump) ficará marcado pela “pós-verdade” – no original, “post-truth” – ou seja, um adjetivo aplicado a circunstâncias em que os factos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional. A palavra, usada pela primeira vez em 1992, caracteriza uma realidade que reflete sobretudo a influência das redes sociais como fonte de informação – só este ano, o uso da expressão cresceu 2000%.
Bem sei que estes conceitos se aplicam a áreas diferentes, mas permitam-me a ousada liberdade de considerar que, se por exemplo já tivemos o liberalismo e o neoliberalismo, o modernismo e o pós-modernismo, nada surpreende que, nesta época, herdeira, primeiro da “morte de Deus”, e, a seguir, da “morte das ideologias”, após a verdade, venha… a explicação fácil?, o insulto calunioso?, a imbecil autopromoção?, a efémera glória?, a vitória a todo o custo?, o engodo dos inocentes?, o rótulo maldizente?, a propaganda imperialista? o autismo arrogante?
No próximo ano, os franceses escolherão o seu Presidente, os alemães o seu Chanceler, os angolanos o seu Governo e os portugueses os seus autarcas locais. Na Figueira, vamos corajosamente eleger discutir os grandes temas estruturantes do futuro, ou continuar, enleados na “espuma dos dias”, condenados ao “diktat” da pós-…verdadinha?!…
Teotónio Cavaco, deputado municipal do PSD

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