Opinião: Memória

Posted by
TEOTÓNIO CAVACO

TEOTÓNIO CAVACO

Numa definição simples, a memória é a faculdade de armazenar factos ou conservar ideias e lembranças, tornando-se documentos históricos quando narradas ou transcritas, nos quais a subjetividade ou a imprecisão podem ajudar a formar memórias diferentes, ainda que relativas ao mesmo acontecimento.

A recente polémica figueirense a propósito da falta de rigor quanto à designação “Praia”/“Cais” da sardinha (ou a inexplicável falta de originalidade da instalação com que se pretendeu homenagear a comunidade piscatória) é reveladora do infelizmente tradicional despudor com que se altera e omite a memória, nossa, coletiva, identitária – Le Goff sugeriu que as memórias coletivas trazem consigo um espaço comum de encontro a determinado facto histórico, atribuindo-lhes um caráter simbólico. Ora, sem memória o futuro fica mais pobre.

Num período de cerca de 50 anos (último quartel do século XIX e primeiro do século XX), a Figueira protagonizou um conjunto de modificações de cariz estruturante que a projetaram, nacional e internacionalmente, ao longo de todo o século passado, conferindo-lhe títulos (como Rainha das Praias de Portugal) que estavam consubstanciados numa realidade que era orgulho para os figueirenses e garantia de satisfação para quem nos visitava – e tudo isto fruto de um dinamismo visionário mas estratégico. Para quando o regresso desta estruturante ousadia?!…

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.