Baixa de Coimbra precisa de pessoas antes de atrair turistas

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Entidades oficiais, guias turísticos, comerciantes e habitantes em Coimbra debateram ontem a cidade enquanto atração turística, saindo da conferência a ideia de que a Baixa coimbrã precisa de “ar fresco” e de pessoas antes de captar turistas.

“Não pensem nos turistas, pensem nos cidadãos de Coimbra”, sugeriu a diretora executiva da Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal, Marli Monteiro, dirigindo-se à plateia do Teatro da Cerca de São Bernardo, onde decorreu a conferência promovida pela Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. De acordo com a responsável, é necessário “gente que durma na cidade”, para que esta se torne cada vez mais atrativa para os turistas que a visitam. Para isso, realçou, é também necessário investimento “qualificado” e com capacidade de modernizar o comércio na zona da Baixa da cidade.

A “monotonia” das lojas que vendem objetos de cortiça ou sardinhas “não traz nada”, sendo necessário diferenciar a oferta, visto que o turista quer “livrarias, cafés, sítios de degustação, costureiros, sapatos ou lojas de design”, notou. Marli Monteiro apelou ainda aos comerciantes para que “deixem entrar o ar fresco” na Baixa de Coimbra.

O exemplo da dificuldade de fixar os jovens na cidade surgiu da plateia, no relato de um licenciado em turismo, que olha para Coimbra como um concelho “escuro” e sem identidade, onde “não há dinâmica, vontade ou energia” nem “motivos para que os estudantes fiquem”.

A guia turística Maria José Fernandes também salientou a necessidade de os próprios conimbricenses “habitarem a baixa”, que neste momento tem lojas “com decoração de há 20 ou 30 anos”, edifícios degradados, muitas “zonas mortas”. Para além dessas observações, a guia referiu que há muitos problemas de acessos, falta de limpeza, calçada em más condições e lojas direcionadas para os turistas que não apresentam inovação.

Para Maria da Graça Pinheiro, a viver em Lisboa mas com residência na sua cidade natal, Coimbra é uma cidade que tem “tanta potencialidade”, mas que continua sem “perspetivas para fixar residentes”. “A cidade nunca teve uma Câmara ou um presidente que estivesse à altura daquilo que Coimbra pode dar”, encontrando no concelho muitos bloqueios na atração de investimento, não aproveitando “a gente nova e criativa que tem e que nem é levada a sério”.

Comerciantes, habitantes e profissionais ligados ao turismo elencaram também o problema dos acessos, bem como da limpeza e da falta de investimento privado.

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Luís Menezes, sugeriu que se oiçam os turistas e que as diferentes entidades e atores consigam trabalhar em conjunto, em prol de uma cidade que tem dificuldade em garantir uma estadia longa daqueles que a visitam.

A vereadora da Câmara de Coimbra, Carina Gomes, afirmou que a autarquia tem feito inquéritos aos turistas desde o verão para ser possível “conhecer o que os turistas” acham da cidade.

5 Comments

  1. Perguntando a um Conimbricense o que ´´e que mais apreciaava em Coimbra a resposta deivou-me confuso na altura–A auto-estrada para o Norte e para o Sul….O País é muito pequeno dizia: temos Lisboa,o Porto e o resto…

    • Sócio AAC says:

      Apesar de todos os seus defeitos,como qualquer cidade,eu que sou conimbricense, jamais trocaria Coimbra por outra cidade !

  2. Observador says:

    “A cidade nunca teve uma Câmara ou um presidente que estivesse à altura daquilo que Coimbra pode dar”
    A verdade nua e crua.

  3. Antes dos inquéritos aos turistas, com o devido respeito, penso, srª. Vereadora, que é necessário criar condições para fixar os turistas e Coimbra deixar de ter o simples turismo de passagem. Depois de os termos cá um dia ou dois é que se lhe pode perguntar o que se deveria fazer para estar mais uns dias. Quanto ao facto de a cidade ter edifícios degradados há que perguntar à Câmara Municipal de Coimbra porque é que se bloqueiam de forma aberrante os processos de licenciamento de obras, se lhe levantam mil, diria milhões, de obstáculos e de questiúnculas que denotam uma falta de senso gritante das pessoas responsáveis pelo sector. É evidente que as pessoas saturam-se deste estado de coisas e desistem de lutar contra um departamento de obras particulares que só existe para uns tantos mostrarem que têm poder esquecendo-se do prejuízo que causam a terceiros e, concomitantemente, à cidade. Se os munícipes queixosos querem ir à reunião de Câmara expor os seus assuntos…só por milagre, atendendo à filtragem que está a ser feita!

  4. aproveitar os vistos "gold"…..já agora….. aproveita-se para a onda de continuar a envelhecer ……o país…. já que os novos………….emigram -(

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