Opinião: Querem crescimento? Tomem lá mais um imposto !

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Paulo Júlio

Paulo Júlio

O entusiasmo às vezes dá em algo que, afinal, não era bem isso. Por outro lado, o entusiasmo tende a revelar o verdadeiro pensamento.

Em política actual do Bloco de Esquerda, isto quer dizer que o verdadeiro pensamento (deles) afinal não é para aplicar. Isto a propósito do desnorte de comunicação que reina nos partidos que, certamente sem quererem, espantam todos os que poderiam contribuir mais para que o crescimento económico existisse.

Isto, a propósito da agora célebre tirada de uma jovem deputada do BE que se tornou “famosa” porque, numa comissão parlamentar, fez umas perguntas pertinentes a outros “famosos” gestores de Portugal. Convenhamos que, apesar de tudo, para curriculum é pouco.

Aliás, curriculum de trabalho conhece-se pouco, mas isso não é importante. Voltando ao que interessa, a jovem parlamentar apelava a uma plateia de socialistas que “é preciso perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem acumula”, o que, por sinal, causou grande entusiasmo. Sabe-se lá porquê.

Ou porque não conseguem “acumular” (a vida por Lisboa é exigente), ou porque acham que quem trabalha e consegue acumular, ainda deve pagar mais impostos. Ou, porque nunca trabalharam a sério, é tudo irrelevante, com a excepção de sacar mais uns milhões de Euros para pagar o Estado que, nos últimos tempos, em vez de poupar, se colocou novamente a gastar o que não tem.

Claro que o entusiasmo deu lugar a um enorme “opss” (em português, quer dizer que “isto está a correr mal e já meti água”) e a novel famosa parlamentar lá emendou a mão e esclareceu que não estava a pensar nos portugueses que conseguiam fazer alguma poupança, mas sim, “nos Doutores Salgados” cá do burgo.

Mudando agora o tom. Esta gente deve julgar-nos asnos. Discutem o orçamento, precisam de mais receitas (isso quer dizer impostos) para fazer face às despesas que não dispensam e, finalmente , querem fazer-nos crer que isso se fará à custa de alguns poucos milhares de portugueses.

Sejamos claros. Quem paga impostos em Portugal é a classe remediada que ganhando acima de mil euros por mês ( para o Bloco e os seus jovens turcos , isso é uma fortuna ) , dá-se ao luxo de comprar uma casa, paga impostos de todos os tipos e, se a lei das vistas e do sol for avante, mais alguns inimagináveis.

Ora esses afortunados conjuntamente com os ricos que , imagine-se , conseguiram comprar ou herdaram um segundo imóvel , são o alvo desta malta que não dá valor ao trabalho, até porque, na maioria dos casos, nem sabem , nem nunca experimentaram o que isso é. Aliás, na maioria dos casos nem conhecem o próprio País, para além da margem sul e de Vila Franca, com excepção, do Algarve ou de alguma passagem aérea por cima do resto de Portugal. Pergunta o leitor se esta gente não existiu sempre.

Claro que existiu, mas, agora, o problema é que são eles que condicionam quem governa, a ponto de substituírem o próprio governo , no anúncio (experimental?) de algumas medidas orçamentais. Posto isto, ou nos resignamos ou nos insurgimos porque o risco deste experimentalismo ainda nos pode sair a todos muito caro.

O problema de Portugal é a falta de crescimento económico, mas para a jovem deputada do Bloco que não sabe o que é pagar um salário ou trabalhar a sério, tudo se resolve tirando aos “ricos que acumulam” e diabolizando os “patrões”, quais seres que , apesar de arriscarem, criarem valor e postos de trabalho, deveriam pagar para existir.

A pergunta que fica é se eles percebem alguma coisa da vida…? A resposta que a maioria de nós lhes daria, seria provavelmente para irem aos pokémons porque a vida de Portugal deveria ser tratada por gente mais capaz.

One Comment

  1. Henrique Costa says:

    Faltou dizer uma coisa, a relação com a retirada da sobre taxa do IRS. Muitos funcionários públicos são afectados por ela, a maioria ainda. A geringonça, que não é mais do que uma coligação de funcionários públicos, está lentamente a transferir os impostos da função pública para a privada e isso, num país já tão escravizado pela função pública, basta ler os relatórios do BdP e OCDE, dará muito mas muito mau resultado. Acima de tudo pelo efeito psicológico, fica-se a pensar que um país é a sua função pública, que a sua iniciativa e progresso se deve maioritariamente a ela o que é o de mais errado e perigoso que se possa pensar!

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