Opinião: O Sol, uma riqueza infindável…

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Gil Patrão

Gil Patrão

O Sol, que de forma direta ou indireta é a origem das energias renováveis, merece o interesse de países desenvolvidos, mas como também neste domínio não temos um rumo bem definido, não usamos da melhor forma as muitas horas de sol de que fruímos, e que nos tornariam menos dependentes do exterior num vetor crucial para o crescimento económico, pelo que o modelo energético nacional continua baseado nas energias fósseis (derivados do petróleo e gás natural).

As energias fósseis têm desenvolvido o mundo mas são finitas e contribuem para o aquecimento global que destrói o planeta, ao contrário das energias renováveis, de que não aproveitamos devidamente alguns dos recursos que temos por uma mudança de paradigma energético exigir mudanças comportamentais difíceis, mas que permitirão beneficiar plenamente de autênticas dádivas da natureza que outros povos industriosos e criativos há muito exploram sabiamente, pelo que, para induzir tais mudanças, e pelo impacto ambiental, social e económico das energias renováveis, estas deviam ser estudadas muito mais profundamente em todos os graus de ensino.

Surpreende não haver um “cluster” da economia e saber nacional formado em torno da energia solar, já que um simples forno solar demonstra o poder do Sol como fonte energética renovável e um painel solar térmico, haja um sol abrasador no estio ou pálidos raios no inverno, ao aquecer as águas domésticas utilizadas por uma pequena família, se pagar em poucos anos com as poupanças resultantes de tirar partido das muitas horas de insolação que temos, e que permitem gerar energia térmica de forma competitiva com outras energias de origem fóssil, ajudando a reduzir a fatura energética dos lares, e a criar riqueza e emprego de forma rápida.

Os painéis solares térmicos penetram no mercado de aquecimento de águas por serem competitivos, melhorarem o ambiente, desenvolverem serviços e por os sistemas de conversão se produzirem no país com qualidade, pelo que o Governo devia incentivar mais o seu uso, bem como da microgeração elétrica com painéis solares fotovoltaicos, que ainda não é competitiva com a eletricidade gerada em grandes centros, mas deve ser subsidiada pelo interesse que a geração elétrica descentralizada tem para o país, e por ajudar a diminuir o aquecimento global.

O Acordo de Paris de dezembro 2015, que sujeitava 195 nações aderentes a limitar, até 2050, o aquecimento global em 2,5 º Celsius (pretende-se não se vir a ultrapassar 1,5 º C), condiciona as empresas de geração de energia a não emitir carbono para a atmosfera até essa data, o que força uma autêntica revolução energética, que visa aumentar o uso das energias renováveis bem como da energia nuclear e a melhorar continuadamente quer a eficiência energética quer a captura do carbono emitido, para ajudar a cumprir metas ambientais fulcrais para o devir da Humanidade.

A China e os EUA – que não ratificaram o Protocolo de Quioto – anunciaram no decurso da Cimeira do G20 (Grupo dos 20 países mais desenvolvidos do mundo), terminada ontem em Hangzhou, a ratificação do Acordo de Paris, dando alento à urgente contenção do aquecimento global e colocando sob pressão países que ainda não ratificaram um acordo que, para ser efetivo e ter sucesso, terá de ser subscrito por todos os países que mais poluem o ambiente do planeta.

No mundo sempre houve e haverá imensos interesses económicos escondidos que giram à volta quer das energias fósseis e renováveis quer do ambiente, o que tem confundido os povos do mundo sobre o impacto real que um crescimento desenfreado tem sobre o Planeta, pelo que esta ratificação dos dois maiores países poluidores fará entender a todos que o Aquecimento Global, se não for sustido com rapidez, comprometerá o futuro da Terra.

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