Opinião: Bom, bonito e barato

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Hélder Bruno Martins

Hélder Bruno Martins

Desde 2007 que Portugal possui um Plano Estratégico Nacional para o Turismo (PENT). Até ao dia 10 de agosto esteve em discussão pública um novo documento que vem substituir o PENT e os seus conceitos (na generalidade, o documento que esteve em discussão parece-me interessante).

É um documento ambicioso, devido às metas que define até 2020, e exigente, ao nível das alterações que reconhece necessárias realizar, particularmente para promover a agilidade e a eficiência das empresas e das instituições públicas deste setor.

Falta, na minha perspetiva, responder a algumas questões: como se alcançam as metas? Como devem atuar os territórios? Qual o papel de cada agente e em que linha de ação se encontram? Uma questão mais concreta: como aumentar as receitas internacionais? Aumentar as chegadas não é sinónimo de aumento de receitas? A massificação será desejável? Como aumentar a taxa de permanência? Na minha opinião, falta uma ação mais pragmática, congregadora de todos os agentes e uma definição concreta de um plano estratégico de ação prática ao nível nacional.

O Turismo pode ser, de facto, um importante contributo para o desenvolvimento integral do país. Muito para lá do que tem sido até hoje (e temos verificado evoluções muito positivas dos indicadores). O Turismo de Portugal e as Regiões de Turismo têm tido um papel muito positivo, particularmente a Turismo do Centro cujo trabalho desenvolvido merece destaque e reconhecimento.

A cultura, o património (material e imaterial), oferecem o necessário para projetar o país ao nível internacional. A definição de um território, polinucleado – com centros de atividade e de animação cultural, definidos de acordo com os seus recursos culturais (patrimoniais) – seria um importante passo.

A animação cultural nos centros definidos auxiliaria a projeção do país junto dos mercados emissores, definiria os segmentos de mercado, aumentaria a taxa de permanência e o aumento de receitas – a orientação das animações culturais dos espaços patrimoniais para conceitos estético-artísticos positivamente diferenciadores permitiria alcançar indicadores de sucesso e impacte global (dentro dos parâmetros de desenvolvimento desejados: “inteligente”, “inclusivo”, “sustentável”).

Por outro lado, com esta atuação prevenir-se-ia a massificação turística e as patologias sociais/ambientais que daí resultam (daí que o número de chegadas não corresponda necessariamente ao aumento de receitas). Há vários exemplos internacionais que ilustram o que aqui defendo. Aproveito a proximidade da data para destacar um evento que é já uma referência: o Fólio – festival literário internacional de Óbidos.

De maio a outubro, os centros estratégicos que referi anteriormente deviam estar em dinamização cultural constante. Os espaços patrimoniais deviam possuir uma programação cultural capaz de atrair e fixar (turistas, pessoas e bens). E temos tudo para ser felizes: bom, bonito e barato (com tendência aos preços aumentarem se definirmos uma ação de valor acrescentado).

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