Filhos de imigrantes pegam em Voltaire para falar de refugiados em Coimbra

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A companhia de teatro de Coimbra “O Teatrão” vai assinalar os 15 anos do seu serviço educativo com uma peça em que jovens portugueses e filhos de imigrantes partem de um conto de Voltaire para falar da crise dos refugiados na Europa.

“O Mundo como Está” é um espetáculo que surge depois de 32 meses de formação de um grupo de jovens, oriundos dos projetos Bando à Parte e Classes do Teatrão, assumindo-se como uma espécie de celebração dos 15 anos de serviço educativo da companhia conimbricense, informou hoje o Teatrão, em conferência de imprensa de apresentação da temporada outono e inverno.

Na peça que parte do conto “O Mundo como Está”, do francês Voltaire, jovens adolescentes portugueses e filhos de imigrantes oriundos da Rússia, Ucrânia e Angola abordam o fenómeno da “crise dos refugiados e do terrorismo” na Europa, bem como a “globalização capitalista” presente neste continente.

Este espetáculo, que é apresentado em Coimbra a 28, 29 e 30 de outubro, vai ser também uma forma de mostrar como o percurso de formação dentro da companhia de Coimbra influenciou as vidas destes jovens.

A companhia tem uma “oferta pedagógica para todas as idades e públicos”, sendo a formação também uma forma de desenvolver e vincar uma relação “de grande proximidade com o público”, sublinhou a diretora do Teatrão, Isabel Craveiro.

Para a responsável, a formação é uma grande marca da companhia, fazendo parte da sua matriz identitária.

Na programação até ao final de 2016, é também destacada a apresentação da nova criação do Teatrão, intitulada “Sophia”, que estreia a 17 de novembro e que vai fazer temporada até janeiro.

“Não se vai fazer uma dramatização nem da ‘Menina do Mar’, nem da ‘Fada Oriana’ [de Sophia de Mello Breyner Andresen]. Vamos antes fazer uma viagem por toda a literatura para a infância da Sophia”, vincando o universo da poetisa, realçou Isabel Craveiro.

Para o espetáculo dedicado ao público infantil, a companhia pretende criar “uma linguagem teatral um pouco diferente”, tendo a colaboração de Filipa Malva no cenário e figurinos, e de Ana Biscaia na ilustração.

A programação durante a próxima temporada vai também contar com a reposição da peça “Punk-Rock” (23 a 25 de setembro), o concerto do projeto Señoritas (08 de outubro), de Mitó Mendes e Sandra Baptista, d’A Naifa, e o espetáculo “À Direita de Deus Pai”, da Trincheira Teatro.

Durante a temporada, haverá ainda oficinas para pais e filhos, uma conferência sobre o fenómeno das migrações, a continuação do projeto de formação “Bando à Parte” com jovens em risco de abandono escolar e um programa destinado a alunos do secundário em torno das obras dadas na disciplina de português, como “Os Lusíadas” ou “Felizmente há Luar”.

Os programas de intervenção junto da população sénior vão também prosseguir com uma segunda edição do projeto em Coimbra, alargando-se ainda aos concelhos de Soure e de Mira.

Questionada pela agência Lusa sobre a situação financeira do Teatrão, Isabel Craveiro afirmou que a atividade da companhia depende do resultado de quatro candidaturas apresentadas, sendo que “não há uma solução à vista”.

“Estamos a perder estrutura” e “o passivo acumula”, contou, referindo que, face à situação, a companhia perdeu três técnicos, três atores e duas pessoas do departamento de comunicação.

“De momento, estamos a remendar”, admitiu, informando que o único apoio regular é da Câmara Municipal de Coimbra, depois de ter perdido o apoio estrutural por parte da Direção-Geral das Artes.

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