Região da Bairrada a arder

Fotografia de Miguel Abreu

Fotografia de Miguel Abreu

 

“Um cenário dantesco”, com localidades cercadas pela “fúria das chamas”. Chegou a temer-se o pior, ao final da tarde de ontem, na localidade de Várzeas (Luso). No local, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada falava de “um cenário muito complicado com o fogo a ameaçar populações”. Só a intervenção de dois meios aéreos conseguiu dominar a força das chamas.
“A situação parece ter melhorado, mas viveram-se momentos de desespero”, adiantou o presidente da autarquia. Perante a gravidade da situação, o município da Mealhada viu-se obrigado a acionar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, tal como havia acontecido no concelho de Anadia. Também a Comissão Distrital de Proteção Civil de Aveiro decidiu ativar o Plano Distrital de Emergência de Proteção Civil em todo o distrito, “tendo em conta o elevado número de ocorrências e o total empenhamento do dispositivo operacional do distrito, estando praticamente esgotadas as suas capacidades de combate e rendição”, bem como a previsível manutenção das condições meteorológicas adversas”.

Mata do Buçaco em risco
“Estamos a dar o máximo dos máximos para acudir às situações mais graves. Temos cinco casas prontas para receber eventuais desalojados. Esperemos que não seja necessário”, afirmou ainda o líder do município da Mealhada. Ontem, já depois das 18H00, um grupo de 150 bombeiros oriundos da zona de Lisboa chegava ao concelho para render os colegas que estavam na frente de combate. “Temos um plano para dar apoio logístico aos bombeiros de fora do concelho que vem reforçar o combate às chamas, sendo a base deste centro a Escola Profissional Vasconcellos Lebre”, adiantou Rui Marqueiro.
Também a Santa Casa da Misericórdia da Mealhada decidiu abrir o hospital durante toda a noite, ficando de “serviço” ao concelho e aos municípios vizinhos. Uma medida que “pretendeu auxiliar a população e minimizar os constrangimentos que esta catástrofe tem vindo a acentuar”. Ao início da noite uma outra preocupação surgia: o incêndio podia pôr em perigo a Mata Nacional do Bussaco. Autarcas, bombeiros e o presidente da Fundação Mata do Bussaco reconheciam o perigo de se perder um dos ex-libris da região e do país.

 

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