Opinião: Pensar nos médicos e naqueles que servimos!

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Cesário Andrade Silva

Cesário Andrade Silva

Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são desde a sua criação, mais de 40 anos, e para todos os governos a pedra basilar do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e todos os partidos sem excepção fazem juras de amor ao mesmo, sempre com promessas de melhoria contínua na qualidade, na equidade de acesso, na igualdade de tratamento aos pedidos na entrada nos hospitais, nos incentivos aos profissionais que cumpram os objectivos e desde há uns anos a eterna promessa de reorganização dos cuidados com esse paradigma sempre adiado das Unidades de Saúde Familiares (USF) que apesar de tudo têm conseguido levar a água ao seu “moinho” tendo inclusivé ultrapassado o veto do Tribunal de Contas que acusou as mesmas de gastarem de modo excessivo para os resultados obtidos, acusação esta que se provou não ter fundamento, e os governos continuaram a sua aposta nas USF, ainda que a conta gotas.
Mas o problema não são as USF mas sim o que resta dos “velhos centros de saúde” que foram reorganizados em estruturas que mesmo cumprindo os objectivos, mesmo tendo um grau de satisfação dos utentes elevado, não pode ter (porque legalmente não está previsto), nem tem tido os mesmos incentivos e apoios incluindo as estruturas físicas, mas também nos recursos humanos e têm sempre de dar satisfação aos utentes que não integraram as USF, no caso de coexistirem os dois modelos organizacionais. Se a nível de competências e número de utentes, muito se tem exigido aos Médicos de Família, é talvez chegada a hora de incluir e dotar de instrumentos legais, os Colegas que foram deixados para trás voluntária ou involuntariamente neste processo de mudança já com demasiados anos, nos quais estes e outros problemas tem vindo a ser identificados. A Ordem dos Médicos e o Colégio de Medicina Geral e Familiar têm neste problema responsabilidades pois permitiram que, Colegas com competências iguais a executarem trabalho igual, fossem tratados de maneira diferente e é chegada a hora de reparar o que está mal e igualar em direitos os Médicos de Família que atinjam os objectivos propostos estejam eles integrados numa ou noutra estrutura.
Também se estranha que este “modelo de sucesso”, aplicado aos CSP, não tenha sido experimentado nas unidades hospitalares, locais onde tem sido difícil contratualizar médicos para o SNS, e no que à nossa Região diz respeito, em especial nas unidades mais interiores como a Guarda, Covilhã e Castelo Branco. Problemas como a remuneração e falta de incentivos estão de certo na base dessa decisão, mas não só. Um médico(a) que passa uma vida de formação numa Cidade Universitária, constitui família e tem filhos, é-lhe pedido por volta dos 30 anos que se desloque para outro local e leve ou deixe os seus. Se o(a) outro(a) é alguém do mesmo ramo de trabalho ou semelhante como o ensino, tem um duplo problema pois o(a) companheira(o) pode ter sido também deslocalizada e ter trabalho em sentido oposto. Logo, há que fazer opções e o vínculo ao SNS, pesa hoje pouco na decisão, de não ir aos concursos de ingresso na carreira pública, ao contrário de há uns anos atrás onde a capacidade de empregabilidade do sector privado era reduzida ou inexistente. E o factor marital de preferência na deslocação do casal tem nas carreiras médicas peso zero, como o tempo e os exemplos conhecidos o comprovam.
Problema também sério e já com repercussões na formação actual, é o desaparecimento da capacidade de formação de futuros especialistas pois a saída dos Médicos por reforma e a ausência da sua substituição, implica prejuízo na capacidade de formação dos serviços, que além da formação, têm de fazer consultas, dar aulas e fazer investigação, se falarmos em estruturas ligadas a faculdades de medicina. Depois, o fecho da capacidade formativa dos hospitais do interior contribuiu e muito para a falta de serviços de formação que ao mesmo tempo fixavam os especialistas que aí, se especializavam. Tudo junto, levou-nos à situação actual que beneficia quem? Seguramente que não, aos médicos. Também não, aos utentes. Logo, que espera o poder político para colocar em marcha as sugestões já dadas pelas estruturas do sector que em devido tempo alertaram para este problema? Há que prever, e em lei, estas situações referidas e sobretudo atentar desde logo nas entradas para a especialidade, o futuro dos especialistas recém-formados.
Só com mudanças há muito exigidas, será possível manter este SNS que a todos nos orgulha, mas que está a ser esvaziado em recursos humanos que facilita a sua substituição a médio prazo por modelos que já foram e estão a ser testados sem sucesso por cá (falo das unidades locais de saúde que não mostraram resultados melhores que o modelo em maioria no País) e já o foram noutros Países e realço, para os quais ninguém votou, tendo em conta os programas eleitorais sufragados do bloco de partidos que apoia este Governo. Estranha-se!…
E a criação da taxa de turismo de um euro aos que desembarcassem no aeroporto da capital, gerou à data forte polémica, era Presidente da Câmara de Lisboa, o Dr. António Costa. Em seu abono, as taxas obscenas cobradas na maioria das cidades desta mesma Europa, pelos hotéis variam entre 4 a 6 euros por pessoa e por dia. Afinal, o erro na altura foi somente ter-se enganado no local de cobrança e ter sido por baixo, pois nós lá fora pagamos para cima e por dia. Uma festa! Boas férias.

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