Maria, a menina cheia de graça que vence a primeira luta contra o cancro

Foto DR

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Esta – ao contrário da maioria que vemos todos nos jornais – é uma notícia feliz.

Relata a história da Maria, uma menina de três anos a quem foi diagnosticada uma leucemia no primeiro ano de vida. Febres altas e persistentes indiciaram algo grave: depois de exames e dias de internamento no hospital de Viseu (os pais de Maria residem em Nelas), só no Pediátrico de Coimbra seria diagnosticada uma leucemia linfoblástica aguda.

Os últimos dois foram passados em camas de hospital, entre tratamentos de quimioterapia, punções lombares, infeções, dor e muita incerteza.

Esta semana chegou a notícia que todos ansiavam ouvir: a menina foi submetida a um medulograma, que não detetou quaisquer células cancerígenas. “É uma felicidade enorme, esta batalha já foi vencida, mas sabemos que agora será sempre um dia de cada vez”, realça a mãe Olga Patrícia Pinto.

Na passada quarta-feira, quando chegou perto da Maria, abraçou a filha a chorar. “Porque choras?”, perguntou a menina. “Não te preocupes. É de alegria. Já passou o teu dói-dói, ” respondeu.

A pequena pulou de alegria. “Só dizia que já não precisava de levar mais picas”, conta Olga Pinto. Não será assim, porque a pequena Maria terá que fazer novos exames e ser vigiada para evitar recidivas. E em setembro, devido a uma infeção no cateter central, através do qual é submetida aos tratamentos de quimioterapia, terá que “ir ao bloco”. Em fevereiro, a menina será submetida a um novo medulograma.

Neste momento, e devido ao efeito da quimioterapia, começam a cair-lhe as unhas dos pés e das mãos. Mas o cabelo já está a crescer. “Como ela diz, já dá para colocar gel e espetar”, conta a mãe. “E já não depende de medicamentos para dormir”.

Ainda assim, e por muitos anos que passem, a mãe nunca vai esquecer os momentos em que a pequena Maria perguntava, tristonha, se tinha que ficar de novo no hospital. “Ou em que pedia: “não deixes que eles piquem, mãe”. “Doía ver o olhar, aquele sofrimento e não poder trocar de lugar com ela”, recorda.

Olga e o marido questionaram o sentido da vida. Quiseram saber porquê. Mas, todos os dias, a pequena guerreira deu-lhes motivos para continuarem a acreditar que era possível. E tudo isto, apesar “das dores que não a deixavam dormir à noite”, apesar das punções lombares, das seringas, dos efeitos secundários da quimioterapia.

Hoje Olga Pinto é cautelosa. “Vemos muitas crianças no pediátrico com recidivas”, relata a mãe que, ao longo dos dois últimos anos, viu oito crianças morrerem devido à doença. “As mortes ocorriam sempre à noite. Os enfermeiros tratavam das coisas para não nos incomodar. Foram incansáveis”.

Desta batalha, Olga diz ter tirado uma “lição de vida”. Antes de a Maria nascer, o primeiro filho do casal tinha nascido sem vida. A felicidade do nascimento da menina acabava por ser ensombrada por uma doença que exige coragem, paciência e alguns recursos financeiros. Contudo, graças à solidariedade de muitos – sobretudo da família, de amigos e de outros pais – as dificuldades foram sendo ultrapassadas.

“Foram dois anos muito complicados. Vou andar sempre com o coração nas mãos”, conta a mãe, que lutou, também, contra as dores da sua menina, mas que acreditou sempre naquele sorriso. E que raras vezes se revoltou com o facto de saber o quão é injusta qualquer dor. Por mais pequena que seja.

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