Opinião – Viajar pelo Baixo Mondego até Tentúgal

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Hélder Rodrigues

Hélder Rodrigues

1.Vamos descobrir um mundo maravilhoso
Com a chegada das férias convido os leitores a viajar comigo. Por aqui e por ali, ao Deus dará, sem formalismos, ao sabor do momento e da inspiração, do que for acontecendo! Vamos ao encontro dum mundo maravilhoso que há para ver, de pessoas com muito para contar! Vamos com a nossa postura habitual; mensageiros de Coimbra e dos seus valores humanos, identificar elos de ligação, construídos ao longo dos tempos, entre Coimbra e as Regiões visitadas. Levar-lhes um abraço de amizade e solidariedade feito de afectos. Acredito que vamos ser bem sucedidos!

2.Um palácio notável no Baixo Mondego
Começo pelo Baixo Mondego, uma região encantadora! Durante séculos, em grande parte, na posse dos frades de Santa Cruz, que incentivaram as gentes locais a cultivar a sua fertilidade.
Saio de Coimbra, pela Estação Velha. Estrada do Bolão, Cidreira, Geria, S. João do Campo, S. Silvestre. Pequenas terras habitadas por gente, boa e simples com muitas “estórias de vida” para contar!
Viro à direita para o notável Palácio de S. Marcos, antigo Mosteiro de S. Jerónimo, residência dos Duques de Bragança. Depois de uma visita demorada, paro encantado na sua Igreja. Uma jóia do renascimento coimbrão, esse movimento artístico e cultural que transformou a mentalidade do Ocidente no Sec XVI, que encontrou em Coimbra o seu ambiente natural para florescer. Extasiado, passo ali o resto da manhã!

3.Tentúgal, vila museu com gente ilustre dentro
Almoço em Tentúgal, terra de pastéis e queijadas mas também de saboroso peixe do rio! À volta da mesa, logo se estabelece animada tertúlia com gente da terra. Juntam-se conhecimentos literários com experiências de vida. E de repente somos todos Humanidade!
Tentúgal é uma vila museu com muito para ver e para sonhar! Terra natal de D. Sesnando, dono do Condado de Coimbra que no Séc XI a transformou em centro florescente da cultura moçárabe e génese do Reino de Portugal.
No Séc XV, o Infante D. Pedro, duque de Coimbra, pioneiro no sonho europeu, tinha ali o seu Paço, onde hoje é o Paço dos Duques de Tentúgal, lamentavelmente abandonado! Detenho-me pensativo sobre o pouco reconhecimento que o país tem das suas origens e memórias!
Percorro um trajecto aconselhado, tendo por companhia um pequeno cão rafeiro, de orelhas arrebitadas, rabo a dar a dar, que assistiu à tertúlia e gostou, logo se assumindo como cicerone e elo de ligação entre as partes.
Na Igreja da Misericórdia, um grupo de tentugalenses acolhe-me com simpatia. O cãozito senta-se e passa automaticamente a observador atento. Emociono-me com as marcas do Renascimento Coimbrão e revejo esses artistas, vindos da Europa, ali a trabalharem, anos a fio, com as gentes locais. Dizem-me que Tomé o Velho ( 1555-1632 ), destacado discípulo de João de Ruão, ficou durante séculos no coração do povo. Porque se assumia homem do povo, com ele convivia e contava estorias extraordinárias da sua aventurosa carreira de artista!
Entardece, despeço-me com pena de deixar aqueles interlocutores, mas a tempo de poder ainda visitar a Carapinheira, jantar e ficar em Montemor o Velho. O cãozito, a latir, ainda vem a correr atrás do carro! Até breve, companheiro de jornada!

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