Opinião – Um beco sem saída?

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Gil Patrão

Gil Patrão

Cada vez mais jovens portugueses não têm empregos dignos nem sequer têm subempregos, mesmo que mal pagos.

Vivem de quê? Dos amparos das famílias ou de um qualquer subsídio temporário. Mas tudo o que é temporário acaba um dia, e os pais e avós que os auxiliam com as parcas reformas irão desaparecer também.

O que os espera então? Como sobreviverão? Podem ter esperança num futuro que não seja o desespero de viver antevendo a miséria que os espera? Quantos serão os que estão agora nesta triste situação? Já os que ainda não têm idade para trabalhar são cerca de um sétimo do povo, mas para onde caminham muitos destes, senão para a emigração, ou para a multidão de desempregados que desgraçadamente abrange os mais de 30.000 doutorados e 1,3 milhões de licenciados, que deviam contribuir para desenvolver o país?

Por outro lado, imensos idosos sobrevivem com reformas de miséria, e fraquíssimos apoios sociais não satisfazem necessidades básicas que uma velhice cada vez mais prolongada acentua, pelo que há quem anseie pelo dia em que o seu tormento acabe, por não ter como pagar a renda da casa ou a mensalidade do lar, medicamentos, comida,… Outros vivem do apoio de IPSS´s ou esperam pela caridade das boas almas. Ora, acima dos 65 anos, já há quase um quinto do povo!

Mais de 5,1 milhões de inativos (jovens, idosos, estudantes, inválidos, desempregados e ociosos) é quase metade do povo, o que constitui grave debilidade económica da nação! Mas a outra metade do povo, quase toda ela trabalha por conta de outrem! De quem? Muitos, de grandes grupos económicos, pois os que têm negócio próprio são menos de um em cada dez dos empregados…,o que constitui uma debilidade ainda mais profunda da nossa tão fraca economia!

Diminuir o desemprego para metade faria subir as contribuições anuais para a segurança social num montante superior a 2 mil milhões de euros e diminuiria os subsídios. O futuro constrói-se com a atuação de todos e com a capacidade de decisão de hoje, não do amanhã, pelo que há que lutar, agora, contra o que nos trouxe até aqui. Precisamos de ter como grande objetivo nacional criar empregos para se gerar maior riqueza. É vital e é urgente! Mas se queremos ter muitos mais empregos, o que devemos fazer para haver ocupação remunerada para a população ativa?

Deverá ser o Estado a ter de empregar quem carece de trabalho? Mas com que meios, a fazer o quê, e para vender o quê e a quem? Não deverão ser preferencialmente empresas privadas a criar os empregos de que o país precisa? Para isto há que cativar empresários e investidores, e atrair muito capital. O que exige confiança! Mas, sem dinheiro para pagar juros de dívidas acumuladas há tantos anos – dívidas que nem conseguimos amortizar devidamente – como convencer o país e o mundo a acreditar e a confiar no que valemos como nação? Há que motivar e orientar a nossa população ativa a ser mais organizada, pontual, assídua e muito competitiva…

Para convencer empresários a trabalhar connosco há que estabelecer condições excecionais para abrirem empresas e captar o seu interesse pela baixa taxação de lucros, e para atrair capitais há que remunerar os investimentos acima da taxa de inflação, não esquecendo que existe contínua concorrência com muitos outros países, que também procuram aliciar investimentos produtivos.

Andamos saturados da política e da falta de políticas que varram a podridão crescente que entorpece uma sociedade em que a pobreza não para de crescer e as desigualdades aumentam sem cessar, haja o que houver, seja quem for que governe. Mas terá de ser assim? Só sairemos dum beco (quase) sem saída com políticos visionários, probos e que dotem o país de novas políticas, pragmáticas e justas, e não com aqueles que só nos fazem descrer e afastar da política!

2 Comments

  1. Paulo patrao says:

    Muito bom texto. Retrata plenamente o estado de desgraça em que vivemos… Pro-atividade afinco e ideias novas com possibilidade de serem colocadas em prática é o que, num primeiro momento, precisamos. Na vanguarda da inovação, com televisão por fibra óptica ao nível de qualquer país do Norte da Europa (mais avançado até), continuamos com uma realidade é o ias subsariana…

  2. Poortugues says:

    Não percebo. Primeiro diz que é mau não termos pessoas com negócio próprio mas depois diz que se devem baixar os impostos para atrair capital. Típico de quem tem os bolsos cheios e manda patacoadas sem saber o que se passa realmente no país.

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