Opinião – Notas soltas em tempo de férias

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Norberto Pires

Norberto Pires

1.Segundo fontes diplomáticas, António Guterres foi o candidato mais votado na primeira votação para secretário-geral da ONU, que decorreu na quinta-feira da semana passada. É uma notícia fantástica para Portugal e que traduz o facto de António Guterres ser um homem excepcionalmente preparado para o cargo.
2.Segundo a revista Sábado da semana passada, o maior buraco da CGD (Caixa Geral de Depósitos), que ninguém sabe exatamente quanto vale, mas cujas estimativas apontam valores sempre superiores a 1000 milhões de euros, foi da responsabilidade da gestão de Faria de Oliveira (atual Presidente da Associação Portuguesa de Bancos) e Carlos Costa (atual Governador do Banco de Portugal). Estamos a falar na ruinosa tentativa de expansão para Espanha. A auditoria forense é mesmo muito necessária.
3.Pedro Passos Coelho afirmou, na Madeira, que só se falava em sanções a Portugal porque havia governos europeus com dúvidas sobre as políticas seguidas pelo governo de António Costa. Portanto, segundo o ex-primeiro-ministro não estamos ao abrigo dos tratados assinados com os outros países da UE, os quais admitem sanções para quem viole o limite de 3% do défice orçamental, como aconteceu infelizmente em 2015 – ano em que o Governo da PàF liderado por Passos Coelho violou mais uma vez esse limite. Estamos sim, segundo o ex-PM, sob a alçada de um “Tratado Minoritário” gerido por seres (Precogs) que têm a capacidade de prever o futuro e, como no filme Relatório Minoritário, sancionam as pessoas e os países mesmo antes de as violações de tratados acontecerem. Mas estes novos “Precogs” são ainda mais sofisticados. Em vez de simplesmente preverem o futuro, esses seres desconfiam do futuro e basta isso para começarem a punir a torto e a direito. Enfim, tudo isto faz, aparentemente, fazer sentido para alguém.
4.Apesar das certezas de Pedro Passos Coelho, a Comissão Europeia decidiu cancelar qualquer tipo de sanções a Portugal, recomendando que a meta do défice seja de 2,5% do PIB em 2016 – uma meta um pouco mais alargada do que a recomendada em Maio ( 2,3% do PIB) – e que deveriam ser realizadas medidas de consolidação de 0,25% do PIB (como também já tinha sido referido nas recomendações da Primavera). São metas exigentes, nomeadamente a do défice, tendo agora o Governo a tarefa de justificar que as medidas mencionadas estão em curso (não sendo por isso adicionais). Fica ainda em aberto a questão dos fundos comunitários, como referido no comunicado da Comissão lido pelo Vice-Presidente Dombrovskis. Mas tal assunto ficará, no imediato, para um diálogo estruturado entre a Comissão e o Parlamento Europeu. Apesar de vários órgãos de comunicação nacional falarem em sugestões CE para agravamento do IVA – segundo os jornais essa seria uma das medidas sugeridas pela CE -, não vi nada disso nos documentos oficiais da CE. Também não percebo o discurso de muitos portugueses, nomeadamente ligados a partidos políticos, que parecem ficar satisfeitos com qualquer dificuldade que se possa colocar a Portugal.
5.Pelos dados da Execução Orçamental de Junho, relativos ao 1º semestre de 2016, revelados pela Direção Geral do Orçamento, não se confirmam as desgraças anunciadas por Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas. Por um lado, o défice das Administrações Públicas (AP) diminuiu 971 milhões de euros face ao primeiro semestre de 2015. Por outro lado, o saldo primário registou um excedente de 2 122 milhões de euros, traduzindo-se numa melhoria de 1 244 milhões de euros face ao mesmo período de 2015. A despesa primária das AP registou uma redução de 194 milhões de euros. O cenário não parece risonho para os profetas da desgraça e para os líderes políticos nacionais que baseiam o seu discurso político em lenga-lenga e muito ruído sem substância.
6. Desejo muito boa sorte ao Paulo Almeida, novo Presidente da Académica, e que consiga tudo o que deseja para esse grande clube que é essencial para a afirmação da cidade de Coimbra. Gostei muito da entrevista que deu esta semana ao Diário As Beiras.
7. Não gosto de fazer previsões, mas temo que o populista Donald Trump tem muitas condições objetivas para vencer a eleição para Presidente dos EUA. Hillary Clinton tem demasiados esqueletos espalhados, as pessoas estão cansadas do sistema instituído e ela foi incapaz de envolver Sanders na proposta que apresenta aos eleitores. O ticket certo seria Hillary/Sanders. Se o partido democrático não seguir esse caminho e não corrigir a tempo, temo que Trump será o próximo presidente. E que desgraça isso será para o mundo.
Desejos de boas férias.

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