Opinião – Água fervida

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João Vaz

João Vaz

Estou habituado a beber água da torneira na Figueira. Aqui, onde estou, tenho que pensar duas vezes antes de beber.

Olho para o “Guia” que me diz que devo ferver a água pelo menos 5 minutos. Segundo a internet, desde 1 minuto até 15 minutos será o tempo necessário para matar todos os germes, vírus e bactérias. A poluição química, desde pesticidas a metais pesados, só é possível de ser eliminada com recurso a filtros.

Arrisco ferver a água por uns minutos para fazer café e chá. Uma semana depois, e ainda não tive nenhum problema. O trânsito intestinal até melhorou, surpreendentemente. As médicas portuguesas que aqui vivem ao lado, duas jovens pediatras muito bem integradas, compram água do Luso, em garrafões.

Devem ter mais juízo que eu! Brinco com elas e defendo o “risco”, o sistema imunitário tem que ser ativado de vez em quando, senão “adormece e deixa de funcionar”. Riram-se das minhas “baboseiras” e deram-me “alento”: “João, se tiveres uma gastroenterite, vais, pelo menos, emagrecer uns 3 kg, não é bom?”.

Na porta da Santa Casa da Misericórdia de São Tomé, ao domingo, enchem-se garrafões e garrafas de plástico com água da torneira. Gente que vem de longe para ter acesso à água da torneira. A maioria das famílias santomenses não tem acesso a água canalizada ao domicílio.

Contudo, graças à cooperação portuguesa, e ao dinheiro da União Europeia, a situação tem melhorado e 93% tem acesso a um ponto de “água melhorada”, entre furos, chafariz e torneiras comunitárias.

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