Opinião – Quem vier, que venha por bem

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Luís Santarino

Luís Santarino

 

A gestão do silêncio é por vezes muito mais produtiva do que a gestão da palavra. Tanto mais quanto, quando a palavra não serve para comunicar algo de relevante. Mas para fins, embora não inconfessáveis, sobreavaliar a importância que se tem fora de um determinado contexto.
Ao longo de muitas décadas habituei-me a ouvir muitos relambórios, perceber estados de alma, escutar palavras, as mais belas e sentidas intenções, choros e emoções incontidas. Vi de tudo um pouco.
Por isso, estive em silêncio na última Assembleia-Geral da Académica.oaf. Geri o silêncio, o meu silêncio. Em primeiro lugar para perceber o que se passava à minha volta, porque confesso que me quis manter afastado da curiosidade e das curiosidades e, em segundo lugar, porque ao fim de uns minutos, constatei que não haveria nada para dizer de substancial. Já não estou para estados de alma!
Não tinha nenhuma novidade a apresentar. Estava só para ouvir e perceber qual poderia ser o desfecho.
Sinceramente, eu esperava que já estivesse preparada uma solução abrangente e ao mesmo tempo envolvente, dado que já poderia ter havido “trabalho de casa”, desenvolvido ao longo dos últimos anos de gestão da anterior direcção.
Eu sempre digo que, “governar é prever e prover”! Serve para tudo e não só para o futebol. É o primeiro acto de gestão. Sem este, nada se constrói de forma sólida.
Sei de antemão que há muita gente que gosta de se ouvir. Sei também que uma ocasião é sempre uma ocasião. E quando deixa de o ser, o ocasional desaparece, esfuma-se, e aparece o formal!
Eu sei que é difícil um cidadão decidir, quando a nau é pequena, e a tormenta maior! Eu sei que, quem mostrar o rosto, ficará indelevelmente associado ao êxito ou inêxito e que carregará esse fardo durante uma vida.
Mas também é necessário afirmar, perentoriamente, que não estarão sozinhos. Porque o êxito ou inêxito será de todos, por acção ou omissão.
Eu sei que uma má solução é sempre melhor do que não haver solução. Mas também tenho para mim que, qualquer solução será sempre uma boa solução, porque é a demonstração inequívoca que há “gente e gentes” determinada e vontade de “carregar um piano” com uma cauda grande, volumosa e pesada.
Eu aprecio pessoas de coragem. Essas terão sempre o meu respeito e admiração. Porque a inveja é coisa que não pode colocar em causa uma Instituição, e ao palavreado barato não se deve dar atenção.
Todos sofremos e sofreremos.
Fui do tempo da “volta do Leitão”. Disputar jogos com clubes vizinhos que nunca entenderam que a Académica.oaf na primeira liga era determinante para a afirmação da nossa região, elegendo-a como inimiga e alvo preferencial a abater. Corri com outros amigos “seca e meca”, por tudo quanto era sítio, transportando sempre a esperança de uma subida de divisão. Ah, e já me esquecia…sempre o mesmo cachecol! Da mesma cor! Era urgente transportar para outra dimensão a nossa cidade.
Que alegria foi o Estoril de antanho e “a queca na lareira”, o abraço de Coimbra a Lisboa na Lusófona com o Carranca e a Carrucha a cantar a “Romagem à Lapa” com o Luis Gois presente, não esquecendo a nossa saudosa Né, cujas palavras do “Xico Gola” eu fazia minhas. Era no tempo que a Câmara Municipal de Lisboa, por intermédio do João Soares, pagou o transporte e a Câmara de Cascais pagou o alojamento dos e das “FANS”!
Perceberam o quão a Académica.oaf é importante para o todo nacional.
Foi um tempo e em tempo dos Presidentes Jorge Anjinho, Mendes Silva, Paulo Cardoso, até que subimos com Campos Coroa e Fausto Correia.
De todos guardo a imagem de academistas que poderiam partir mas não torcer. Francisco Soares foi um dos nossos maiores. Que saudade!
Quem vier, que venha por bem. Porque Coimbra, a cidade, a nossa cidade e só ela, merece!

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