Opinião – Pensar nos médicos e naqueles que servimos!

Posted by
Cesário Andrade Silva

Cesário Andrade Silva

O relógio marca 01:37 e numa era em que o exercício físico é uma necessidade pelo sedentarismo a que nos votamos com o lema “trabalhar, trabalhar, trabalhar”, e a alimentação/suplementação nutricional é um negócio de milhões de euros, preocupa-me os que de modo incauto recorrem a ginásios, “treinadores pessoais”, lojas de nutrição, consultas de “paramedicina” seja ela estética, corporal, dermoestética ou outras do género e não procurem antes o seu Médico seja ele Médico de Família, Especialista em Medicina Interna, Endocrinologista e Nutrição ou outra especialidade médica e discutam primeiro com ele o que pretendem, o vosso plano alimentar, o exercício físico (que hoje é prescrito pelo médico exactamente como qualquer medicamento), as vossas preocupações, as vossas angústias, estabeleçam em conjunto os objectivos a que se propõem e saibam o que é prejudicial ou saudável seja em termos de exercício físico seja em termos de alimentação.

Nos meios da actual cultura física, há toda uma panóplia de “mitos” e “banhas da cobra” onde se vendem produtos e onde se usa as pessoas como meros compradores, fazendo falsas promessas, publicidade enganosa e onde os objectivos, são na sua maioria, o lucro fácil e os resultados rápidos e prejudiciais à saúde.

Questionem-no (ao médico de família) ainda sobre os produtos que a TV, as farmácias e as “paramedicinas” tentam impingir diariamente num negócio que lida com a saúde e a pseudodoença, criando padrões de “Pessoas Saudáveis” que ao contrário do apregoado, são na realidade pessoas doentes (vidé o problema da anorexia que assola as modelos e muitas das nossas adolescentes), em que o ser saudável passa por ter muitos músculos, fazer exercício de modo descontrolado e desadequado à maioria da nossa população e dietas desequilibradas e indutoras de doença.

Mas caso o vosso médico se revelar desinformado no assunto, procurem um profissional de saúde devidamente habilitado a prescrever exercício e dietas adequadas, a estabelecer um modelo de treino adequado ao doente e fundamentalmente às suas doenças e objectivos a que vocês se propõem e sobretudo não permitam que alguém sem conhecimento e/ou competências vos use e faça a gestão da vossa saúde e da vossa doença (as patologias de que cada um de nós padece a partir de qualquer idade devem entrar no programa e na nutrição que vai ser idealizada) e o que se pode adequar às duas sem prejudicar a pessoa.

Se já tomam algum desses maravilhosos suplementos, façam controle com o vosso médico, análises para ver até que ponto o mesmo não está a ser prejudicial sem vocês o saberem, ainda. Há suplementos que têm misturados substâncias nocivas para a saúde sem que sejam necessariamente proibidas.

Revejam porque facilmente acessível nos dias de hoje, o que é uma boa e equilibrada alimentação na qual a sopa de legumes, a fruta fresca, as farinhas, a carne/peixe em dose adequada (muito menos do que consumimos), muita água, leite e derivados são nutrientes fundamentais.

E a não ser que queiramos ser campeões olímpicos, uma nutrição cuidada será suficiente, e adequada às nossa necessidades fisiológicas e/ou de treino para “não atletas de competição”.

E basta verem a estrutura física de muitos dos frequentadores de ginásios para se perceber que não foi só o exercício físico que fez tudo aquilo que se vê, corpos esculturais que fazem inveja aos Deuses do Olimpo.

E evitem quem sem ter qualquer formação universitária se acha no saber de dar conselhos sobre uma área onde outros têm no mínimo seis anos de estudo.

Assunto diverso é a segurança e o crescimento/desenvolvimento saudável dos nossos jovens. Saber que a violência perpectuada por familiares, padrastos e por vezes padrinhos para com crianças e adolescentes seviciados pelos referidos, é um forte estímulo para nos preocuparmos com cada minuto dos dias das nossas crianças em especial quando há algum laxismo no comportamentos dos pais, que na maioria dos casos confiaram as mesmas a pessoas que afinal se revelam predadoras. Essas crianças que depois de abusadas e tornadas adultas de modo brutal, nunca mais serão as mesmas e jamais poderão reverter e ter de novo uma infância e adolescência normais, muitas vezes nem uma vida adulta normal.

E quando os acontecimentos resultam de confianças traídas pela próprias família (no último caso que me chegou foi o padrinho da adolescente que a violou, imaginem como foi possível, uma atrocidade dessas) algo vai mesmo muito mal neste nosso “Reino, à Beira Mar Plantado”.

E, curiosamente, desde o primeiro momento em que tomei contacto com o Código Penal nesta área dos crimes sexuais que entendo que a moldura penal é demasiado branda.

E se se passasse com um de nós? As reacções naturais que teríamos com o agressor levar-nos-iam certamente à prisão mais anos que ao agressor e isso é estranho, no mínimo, estranho.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.