Opinião – Pensar nos médicos e naqueles que servimos!

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Cesário Andrade Silva

Cesário Andrade Silva

São já 22:53 e há mensagens sobre o excesso de médicos e a falta de médicos que claramente são contraditórias e revelam a falta de planeamento que persegue este país, provavelmente desde a morte de D. Afonso Henriques, quando esse génio militar, político e humanista faleceu e deixou um País com nome, respeitado e com as ideias do que fazer para garantir o futuro de Portugal.

Ler a sua biografia é uma obrigação de qualquer Português. Levanta-nos o ego, faz-nos sentir orgulhosos do nosso passado e alivia a tensão que vivemos nos dias de hoje.

Se por um lado as associações dos médicos vêm dizendo que há médicos a mais, por outro, faltam-nos 500 anestesistas, faltam médicos de família, temos listas de cirurgias com atrasos inaceitáveis, consultas de ambulatório onde os utentes esperam anos, desrespeito absoluto pela lei dos tempos máximos de espera (porque a própria lei tem excepções e com estas, todos os serviços médicos estatais podem e justificam as listas de espera), urgências hospitalares com casos clínicos que deviam ser resolvidos nos Centros de Saúde – locais onde os cidadãos reclamam por terem de estar demasiados dias à espera de consulta, muitas vezes porque não procuram informação que lhes permitiria ter acesso, mas a iliteracia e a falta de formação cívica ainda são problemas que em 42 anos de democracia não resolvemos, em especial nas faixas etárias dos mais idosos, consumidores brutais das consultas disponíveis, por serem uma população envelhecida, doente e carente de atenção que bloqueia por marcação excessiva as consultas disponíveis e aceitam mal que só devem ir às consultas de 6 em 6 meses pela sua doença crónica e inventam qualquer outro problema de modo a depois na consulta falarem da sua HTA, da suas diabetes, das dores, etc e muitas vezes só tinham passado poucos dias desde a última consulta.

E, ainda temos tempos de espera para quimioterapia ultrapassados, a sério, para quimioterapia, mais parecia pelo modo como deram a notícia que era atraso para o café da manhã, andamos a brincar com a Vida e nem Deus se atreveu a tanto.!…, etc.

Mas em tudo isto e sobretudo por tudo isto, porquê esta desigualdade entre as necessidades sentidas pela população e o sentido corporativista dos médicos (e digo isto no melhor sentido pois as queixas são feitas com base em dados reais).

A resposta embora simples é a que os nossos génios políticos que nos governam não conseguem resolver. Planeamento a longo e muito longo prazo, acordo de regime sobre as políticas de qualquer sociedade moderna e que pretende evoluir. E pormenorizo.

A Educação, vejam a confusão em que estamos metidos com a Direita a defender princípios de esquerda, apoiemos os colégios para não falirem e/ou despedirem trabalhadores e a Esquerda a defender ideais de direita, não paguemos 80.500 € já que a escola estatal custa 54.000/55.000€, pela mesma turma, mesma qualidade de ensino e mesmos alunos?!…

Vá-se lá perceber estes argumentos que a meu ver estão exactamente do lado contrário de quem os defende, só neste País.

A Saúde, já percebemos que não há plano e o “reset” a tudo isto, reconstruirmos de base o Sistema Nacional de Saúde deveria ser um imperativo de nós todos, obviamente partidos, associações corporativas e de cidadãos incluídos na tomada de decisões sobre o futuro da saúde e do modelo que queremos e devemos seguir a muito longo, longo prazo.

Estas mudanças de 4 em 4 anos que desperdiçam recursos financeiros e humanos são inaceitáveis e um “pobre País” como o nosso não as consegue suportar.

As Estruturas Básicas que de acordo com a “cor” do Governo se transformam numa guerra entre ser estatal ou privado. Bens essenciais como estradas, luz, água, meios de comunicação (telefone fixo por exemplo deveria ser um direito básico de todos os cidadãos e não o é), meios de transporte (TAP, CP, SMTUP, escolham) ou simplesmente o negócio do lixo, etc.

E todas estas e outras coisas que poderíamos questionar, nunca foram objecto de um qualquer Referendo aos Cidadãos, foram-nos impostas sem nunca termos sido ouvidos.

Na Suíça, fazem-se referendos sobre quem paga as portagens, cá nem sobre a adopção Gay de crianças, alguém foi ouvido, presume-se que a “omniinteligência” dos nossos partidos e deputados saibam o sentir da população, e a verdade é que a maioria da população não é nem perfilha as ideias das minorias e não sendo defensor do radicalismo do 1.º Ministro australiano em relação a tudo que interfira com o que a maioria da população quer, actos e/ou acções que ele entenda prejudiquem o modo de vida da sua Austrália, às vezes ouvirmos a maioria do que as pessoas defendem parece-me o mais adequado em vez de criarmos fracturas sociais em zonas onde a larga maioria das pessoas está de acordo.

E perguntar à população se quer água privada ou pública, se quer educação pública ou privada são só algumas das questões que nenhum Partido pode pensar ser tabu só porque está no seu programa eleitoral que o Comum Cidadão, não lê.

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