Opinião – O paradoxo do desemprego

Posted by
Rui Curado Silva

Rui Curado Silva

Na entrevista de fundo que deu à Foz do Mondego Rádio e ao diário As Beiras, o Presidente da Câmara é interpelado sobre a taxa de desemprego no concelho, cerca de 11 a 12%, a mais alta do distrito.

Sabendo que a Figueira é também o concelho mais industrializado do distrito, não podemos fugir ao paradoxo que estes dois indicadores levantam.

Não podemos deixar de questionar que emprego é que a indústria figueirense oferece, sobretudo quando entre estas empresas temos uma das maiores exportadoras do país.

A explicação não se esgota na progressiva automatização do trabalho. Nestas empresas, o recurso à subcontratação é generalizado. Muitos dos subcontratados passam por situações de precariado prolongado, com passagens frequentes pelo desemprego.

Obviamente que este tipo de emprego não atrai os jovens, repele jovens. A diferença crescente entre o salário de diretores e dos trabalhadores das empresas ainda piora o quadro. Os diretores apanhados recentemente nos Documentos do Panamá ilustram bem a natureza do problema.

A iniciativa do executivo para a caracterização do desempregado do concelho é positiva, mas é insuficiente.

E que tal caracterizar a oferta de emprego e se o tipo de oferta potencia ou não o desemprego crónico?

Ou ainda, que tal caracterizar os interesses dos acionistas e o cadastro fiscal dos diretores?

Por aí andarão algumas respostas ao problema.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.