Opinião – Leiria, terra de diversas indústrias e culturas…

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Gil Patrão

Gil Patrão

Hoje o desafio para passear leva-nos para sul.

É tempo de espairecer, e numa primavera com calor crescente, faz bem ver que afinal há desenvolvimento no país! É muito perto, começa logo ali…

Venha daí observar o que de melhor há para aqueles lados, onde Pombal se impõe como local privilegiado para a instalação das mais diversas empresas, pelo dinamismo duma Autarquia que sabe tirar partido do município ter criado, há muitos anos, uma grande zona industrial no cruzamento da AE 1 com o IC 8 e que, mal começou a ser desenhado o projeto da AE 17, logo instalou outra zona industrial junto dum nó próximo (há terras com a sorte de terem Autarcas de grande visão…), e Leiria, que há muito deixou de ser conhecida só pelo Castelo que foi Paço de Dom Dinis e Dona Isabel, que depois foi Rainha Santa, e é a Padroeira de Coimbra.

Tudo começou ao tempo do Rei-Poeta, que mandou ampliar o extenso pinhal com que Afonso III quis suster o avanço dunar.

Muito depois, foi com madeira do Pinhal de Leiria que um dia se construíram as caravelas com que expandimos o Mundo, e foi no coração desse pinhal que, três séculos depois, se renovou a industrialização da região, quando o Marquês de Pombal – que fomentou a modernização do país – teve a visão política de apoiar Stephens, industrial inglês que soube tirar o melhor partido de recursos (areias e madeira) do Pinhal do Rei, para fabricar vidro na Marinha Grande, fundindo sílicas com biomassa (hoje utiliza-se gás natural).

Depois da II Grande Guerra Mundial, que acelerou o desenvolvimento industrial, Leiria cresceu com a indústria dos plásticos, transformando-se depois a sua região circundante num importante polo industrial, que exporta para todo o lado moldes e ferramentas especiais com que grandes colossos industriais fabricam bens de equipamento e mais produtos que desenvolvem o Mundo.

Se o desenvolvimento industrial da região conta com o empenho da Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós, Cruz da Légua, Pataias, Martingança e outras, Leiria sabe honrar a herança cultural de D. Dinis e Dona Isabel de Aragão, a erudição de Mosteiros e Conventos, e o relevo recente de Fátima no mundo Mariano.

Leiria atrai cada vez mais turistas que se encantam com as admiráveis formações geológicas calcíticas das grutas de Mira de Aire, com a beleza oceânica de S. Pedro de Muel e com o espanto do canhão que gera a fantástica onda da Nazaré! Mais que locais que merecem um desvio, são belezas ímpares, que muitos procuram e admiram.

Leiria é capital de cidades e vilas que a rodeiam, em que se gera imensa riqueza. Nesta região polivalente, as atividades económicas exercidas vão dos serviços à indústria transformadora e à extrativa – que se esventra terras gera emprego e é base de muitas atividades – à agricultura e fruticultura (é de evocar o saber antigo e o extremo labor dos Monges de Cister em Alcobaça) e à pecuária, por muito que haja suiniculturas que continuam a poluir a Ribeira dos Milagres.

Isto acontece porque, há cerca de oito anos, não houve competência e isenção para escolher, em concurso público, sistemas coletivos de tratamento de efluentes que gerariam energia térmica e elétrica, preservariam o ambiente e diminuiriam custos de exploração de empresas que hoje enfrentam falências, face à concorrência de suiniculturas espanholas que são mais competitivas!

Mas o tema das energias endógenas e renováveis, num país como o nosso, que depende imenso de energias importadas que consomem tantas divisas, não é o assunto principal deste passeio.

Tal desafio fica para outra viagem, que nos leve a locais em que o tema é tão atual como é frustrante analisar o que nos conduz a não saber aproveitar algumas das riquezas naturais que temos…

Mas como é importante desafiar governantes, e outros ilustres pensantes, a diminuir a dependência energética deste país…!

Até mais ver, e o meu bem-haja pela excelente companhia.

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