Opinião – Já chega de Metro! Acabe-se com o pesadelo

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Francisco Queirós

Francisco Queirós

 

Que mal fizeram conimbricenses, lousanenses e mirandenses para merecerem tamanho castigo? Para a história de Coimbra, da região e do país ficará uma espécie de tragicomédia. A história de um Metro que não existe, embora já tenha custado mais de 118 milhões de euros. Um projecto que arrasou parte de Coimbra, destruiu um ramal ferroviário centenário e privou milhares de cidadãos de transporte.
Decorria o ano de 1873, reinava D. Luís, anunciava-se a construção do Ramal da Lousã. Em 1887, a linha foi concessionada à firma Fonsecas, Santos & Viana, prevendo-se que a via unisse Coimbra a Arganil. Nesse mesmo ano, aquela empresa solicitou o prolongamento do ramal até à Covilhã. As obras do ramal decorreram por dezassete anos. Em 16 de Dezembro de 1916 houve festa rija na Lousã! “Está em festa a Lousã. A partir de hoje, tem lugar no mundo activo e febril da civilização; ficam-lhe abertas as portas de todos os grandes centros de actividade humana”, registava então o jornal Louzanense. O troço de 6 km ente Lousã e Serpins foi inaugurado em 10 de Agosto de 1930, ficando adiada a ligação a Arganil.
A Sociedade Metro do Mondego, fundada em 1996, foi anunciada como a nova solução de mobilidade para as populações servidas pelo Ramal da Lousã. O projecto de construção e exploração de uma linha de metro ligeiro de superfície no espaço-canal do Ramal da Lousã teria uma extensão de 41,9 Km e 43 estações. O projecto inicial foi alterado em 2006, prevendo-se então a sua divisão em duas fases. A primeira, com a remodelação e electrificação de todo o Ramal da Lousã desde Coimbra B até Serpins, no concelho de Lousã, com aquisição de material circulante, veículos de metro ligeiro de superfície. A segunda fase previa a construção da Linha do Hospital, em inserção urbana, com ligação à outra, unindo a baixa de Coimbra ao Hospital da Universidade.
A circulação ferroviária no Ramal da Lousã foi encerrada a 4 de Janeiro de 2010. Os passageiros são desde então transportados de autocarro. Arrancados os carris, crime com direito a pompa e circunstância, as populações de Coimbra, Miranda e Lousã regressaram ao início do século XX! Coimbra ficou esventrada, o centro histórico da cidade comprometido com as obras do Metro, esburacado como se tivesse sido alvo de bombardeamentos. A Coimbra faltava-lhe o seu blitz!
Hoje nem ramal nem Metro! O Ramal da Lousã tem de ser devolvido ao serviço público, modernizado, mantendo-se a sua ligação à rede ferroviária nacional. A introdução do Metro na área urbana central de Coimbra não serve para a cidade. A linha urbana preconizada implicaria a ocupação das principais linhas dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), sem acréscimos de fiabilidade. A solução metro, no centro da cidade, abriria as portas à privatização dos transportes urbanos, o desmantelamento previsível dos SMTUC, serviço municipal que serve cerca de 15 milhões de passageiros/ano em 88 linhas, com uma rede de cerca de 550 km e com 450 trabalhadores.
Já basta! O PCP é o único partido que defende a extinção do Metro do Mondego. A reposição e modernização da linha do Ramal da Lousã com a devolução do seu património ao domínio público ferroviário e ao domínio municipal. A modernização e a fiabilidade dos transportes urbanos municipais. A história já demonstrou que o PCP tinha razão. É este o caminho justo e que melhor serve a população da região.

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