Opinião – É o que temos… mas também o que urge deixa de ter

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Luís Santarino

Luís Santarino

Confesso que já tenho pouco com que me espantar. A desfaçatez de alguns é o selo da pouca qualidade que enferma a política portuguesa. Portuguesa, porque quero abarcar, todos os que são capazes de dormir descansados apesar das armadilhas que colocam a gente de boa fé.

Empurrar alguém é fácil quando a pessoa tem coração ao alto e alma cheia. Quando se convence que os seus interlocutores estão disponíveis para, a seu lado, iniciarem um combate.

Só que não estão a seu lado. Estão atrás. E quando menos esperam, o exército que lhe prometeram não existe, e os seus pretensos generais, marechais e outros que tais, saltaram fora e se “escondem atrás do arbusto”, a preparar-se para outra malfeitoria!

Eu prometi alguma coisa? Eu disse que estava na primeira linha? Eu disse que tinha uma tropa preparada para o combate? Eu? Eu? Eu?

No falhanço, tudo foi dito “num determinado contexto”, “retiraram frases soltas do que disse”, “nunca tal afirmei de forma rigorosa/peremptória”, tudo afirmações em nome da fuga pelo medo se serem colados a uma derrota indesejada.

Fugir às responsabilidades, à solidariedade, é um acto vil a que nos habituou a política. Local também. Infelizmente. Porque no meio de tanta gente boa, temperada com valores, o que sobressai são as gentes de baixa formação ética.

Mas mesmo quando tudo parece desmoronar-se há sempre um final feliz; é que passamos a conhecer quem são, o que valem, por que luta estão dispostos a dar a cara!

É moda, ou talvez nunca tenha deixado de o ser, fazer umas malandrices e ficar com o ego cheio, como se de alguma forma tivesse contribuído para o bem de um cidadão ou de um grupo.

O processo de eleição dos órgãos distritais do PS, deixou claro quem está disponível para debater o futuro do distrito e da região. Quem se disponibilizou para encontrar uma solução global, enérgica, solidária, esquecendo querelas sem sentido e ajudar a fazer parte da solução e não do problema. Quem estava disposto a conversar para que todos os militantes se integrassem numa reformadora lógica de intervenção e não os deixassem à mercê de traquinices.

Tal não foi possível, porque há gente velha e caduca, controleiros de consciências, alguns, que não permitiram em nome do umbigo, da ambiguidade, da vaidade, da arrogância e do que lhe quiserem mais chamar, que se encontrasse uma solução.
“Queimaram” a confiança de milhares de militantes. Uma pena.

Coimbra, o distrito e a região têm trabalho a fazer. Não pode ser permitido que se esqueça o fundamental para “dar asas” ao acessório e inconsciente. Quando ainda se retrata Portugal como Litoral e Interior, tudo está ainda por fazer. Quando ainda é difícil chegar a Oliveira do Hospital, a Seia, à Serra da Estrela, quando acostar à Figueira da Foz e a Mira ainda é um sufoco para as gentes de Castelo Branco, Covilhã e Guarda, quando crianças nunca mergulharam no Oceano Atlântico, nem se “espalharam” na neve, afinal, o que importa discutir?

Quando tantas crianças ainda têm dificuldade em “chegar” à escola e muitas delas com fome, quando o cidadão comum tem dificuldade em comparecer a uma consulta de especialidade, quando tantos jovens deficientes não conseguem um posto de trabalho, quando tantos licenciados acabam por abandonar o País, e sabe-se lá quando voltarão!, mergulhando Portugal numa profunda tristeza, de que falam alguns privilegiados?

Gritam, esbugalham os olhos de raiva. De ódio incontido.

Fazer política não é insulto barato, não é gritaria, não é “utensílio” de arremesso. Não. Fazer política é diferente, muito diferente.

Fazer política é, em, e a cada momento, encontrar soluções com que respeitaremos os nossos concidadãos, pelo nosso trabalho, dedicação e empenhamento. O resto é fait-divers, é “paleio bom para a praia”!

Há gente que ainda confunde a “estrada da beira com a beira da estrada” e “a obra-prima do mestre, com a prima do mestre de obras”!

É o que temos…mas também, o que urge deixar de ter.

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