Opinião – Águeda, Aveiro e não só…

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Gil Patrão

Gil Patrão

Venha daí, vamos dar um passeio pela região. Como faz bem sair de Coimbra… Desempoeira as ideias! Rumando a norte vinte quilómetros, entra-se no distrito de Aveiro e sente-se a diferença. De repente veem-se, além dos muitos restaurantes da Mealhada, as mais diversificadas empresas que, de Águeda a Aveiro, geram emprego e riqueza.

Observa-se um tráfego mais intenso e um fervilhar de atividade que espelha um ambiente muito mais competitivo, apanágio de gentes que estão em permanente movimento. Na região de Aveiro, percebe-se que o progresso acontece!

Desde há muito que Águeda é exemplo de empreendedorismo e paradigma do que é uma região de pequenas e médias empresas industriais. Nomeadamente, mas sem desprimor para os outros setores de atividade que aí proliferam, merece relevo especial o setor metalomecânico que, vivendo em permanente competição, sabe desenvolver redes de cooperação industrial que mostram a índole dos empresários que aí aparecem constantemente, dando continuidade ao desenvolvimento duma terra em que o desemprego tem sido, de há muito, bastante reduzido.

Saindo de Águeda, continua-se imerso numa realidade industrial impressionante, que tem em Albergaria-a-Velha um dos maiores expoentes. Daí até Cacia, e na zona norte de Aveiro, multiplicam-se as unidades industriais, a par da pujança das que existem no complexo químico de Estarreja e das que, da Branca a Sever do Vouga, enriquecem o país. Andando mais um pouco, o porto de Aveiro mostra como se desenvolveu e as potencialidades que tem, e que uma nova linha férrea irá ampliar e consolidar. Na Gafanha da Encarnação, e na Gafanha da Nazaré, a indústria revela novos cambiantes, expressos, entre outras, por unidades de base agroalimentar, e em Oliveira do Bairro a industrialização mostra as suas muito profundas raízes.

No distrito de Aveiro há, por todo o lado, miríades de empresas que são alfobres de empresários, havendo cada vez mais unidades industriais dos mais diversos setores, da robótica à cerâmica, dos componentes para o ramo automóvel (e não só) aos bens de equipamento e das telecomunicações às que corporizam o relevo crescente da economia digital, para citar alguns.
E como vale a pena visitar a Universidade de Aveiro, percorrer o “campus” e ver como cresceu nos seus jovens 42 anos!

Vê-se que é nova em tudo! Desde as expansões dos muitos e modernos pavilhões às mentalidades extremamente abertas de professores, funcionários e alunos, que vivem de portas franqueadas para a comunidade! Aveiro é mesmo uma terra muito diferente…

Aveiro é uma cidade com enorme valia turística, que sabe explorar muito bem, mas que sempre apostou em não desprezar a indústria que teve e tem. Pelo contrário, os agentes sociais e políticos locais apoiam uma continuada industrialização que vai extravasando, no Centro, para Ílhavo, Vagos, Estarreja, Ovar e Esmoriz, e para o Norte, onde Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira são bastiões industriais que sempre pertenceram ao mundo empresarial que tem o Porto por capital.

Mas, se o Porto estende a sua influência cada vez mais para sul, é por não ter havido a argúcia de tornar Coimbra numa capital que fosse polo aglutinador das capacidades e vontades de toda a Região Centro, e se ter apostado num modelo multipolar que mostra ser inconsistente!

Hoje o passeio foi acelerado, e aflorou apenas o tema da industrialização de parte da região em que vivemos. Outras viagens esperam por nós, quer para sul quer para leste de Coimbra. Olhe que se a oeste (quase) nada há de novo, o mesmo não se passa noutros locais que, quem sabe, talvez um destes dias visitaremos em conjunto. Obrigado pela ótima companhia, e… até breve!

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