Opinião – Pensar nos médicos e naqueles que servimos!

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Cesário Andrade Silva

Cesário Andrade Silva

São neste momento, 03:35 e adormeci no sofá a ver documentários sobre o nosso passado recente tendo em conta a data comemorativa de mais um 25 de Abril.

Um houve que me captou toda a atenção por ter a ver com Coimbra e com esse “Monstro” da nossa História, chamado “Zeca Afonso”, embora e curiosamente, este nome nunca tenha sido por ele usado.

Nasceu em Aveiro, filho de família letrada, embora tenha vivido por um período com os tios pela ida para Angola dos pais, onde se juntou mais tarde, sendo que a África voltaria, desta vez a Moçambique e anos mais tarde, novamente a Angola.

Não sendo eu defensor de algumas das suas atitudes e actos, surpreendeu-me a sua honestidade, a linguagem simples e a sensibilidade traduzida em revolta, seguida de acção e poemas no que a sociedade tem de injusto (fosse em Portugal, Porto, Setúbal, Trás-os-Montes e as Beiras mereceram poemas que vertiam essas injustiças, não lhe sendo também indiferente o que se passava no Mundo fosse em Angola ou em Cuba.

Um “Che Guevara” sem armas, nunca fugindo a uma batalha, sendo frontal no seu pensamento e lutando sempre por essa sociedade na qual a Utopia, tinha o seu pilar e talvez por isso, foi inatingível. Faleceu sem ter sido traído, nunca, porque era demasiado grande, embora Deus o tenha levado cedo.

Quem for curioso, há um link que aconselho a ver, http://joseafonso-1.blogspot.pt/ e é simplesmente fantástico, tendo lá tudo incluíndo o que passou na TV na comemoração dos 42 anos de “Democracia”.

E, impressionou-me outra vez, a forma como o nosso Presidente, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa vai conduzindo o seu recente mandato, traduzido desta vez num discurso que pretende alertar os políticos que não podem contar com ele para joguinhos de cadeiras ou listas de mercearia como disse no dia em se cansou da falta de princípios e abandonou a presidência do partido, zangado com tanta disputa pelos “Jobs”, à data lugares na AR.

E disse, outra vez, que o nosso Povo precisa de tranquilidade, de paz e de justiça social, que na prática se traduz por justiça fiscal, saúde, justiça e educação, os pilares básicos desta sociedade e outras sociedades, tão carente está a nossa de valores, princípios e famílias (crianças incluídas, de preferência muitas) mas que se torna dificil num contexto de probreza ou dito mais suave de riqueza muito, muito abaixo da média na Europa e não só.

E enquanto em Portugal, vamos esgrimindo com o Governo, sempre com bons modos, os nossos direitos, enquanto médicos, o Governo de Sua Majestade no Reino Unido conseguiu pôr os Jovens Médicos em pé de guerra e a repensar o Sistema Nacional de Saúde Inglês (NHS), que esteve na base dos nossos Cuidados de Saúde Primários mas que agora poderião vir ver o que modificamos, o que melhoramos e importar, o modelo, mais barato, menos burocrático e com resultados similares, senão melhores.

E com as movimentações para as eleições à Ordem dos Médicos já em ebulição, saúda-se a coragem da alternativa para o cargo de Bastonário, que é o “nosso betão” estrutural na ética, na qualidade e funcionando como cola na União de uma Classe, quase sempre desavinda.

Porque acredito, que em Democracia, o unanimismo é sempre doentio, podem aparecer outros(as) Colegas nessa disputa, pois da discussão, nasce a Luz e sem esperar que venha o Génio da lâmpada, saúdo sempre a alternativa de idéias e de opiniões, mas espero que de quem falo tenha a Lucidez que nos tem faltado nas disputas, muitas vezes estéreis e que só contribuem para o Obscurantismo e desse, ficamos já fartos.

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