Opinião – Eutanásia da liberdade

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Norberto Canha

Norberto Canha

Começo por definir liberdadepermitir e poder atuar em consonância com a nossa consciência – isto é, princípios ou valores, que agrupo ou classifico em princípios especulativos e operativos (livro Nova Ordem Mundial, Contas aos Netos, 2005 ).

Se eu tenho de ir à rua, particularmente de noite, tenho medo que me assaltem. Se não vejo um polícia na rua, a não ser de automóvel, e, se é a polícia municipal, só os vejo de automóvel e se param – de papel na mão – é para multar.

Se pára um carro, num parque, surge solícito um arrumador, se não sou uma gorjeta, corro o risco de me riscar, no mínimo. Se quero falar com o presidente da Câmara, nem a mim recebe, e, passa apressado de sorriso nos lábios – ala moleiro.

Se quero falar com um deputado, seja do meu ou outro partido, nunca está disponível para me receber. Perdão, excetuando-se Pedro Saraiva.

Se uma vez perdidas ou ganhas as eleições, se pretendo discutir as causas ou razões, e, o povo português só atribuir 4% de credibilidade aos políticos – fogem que nem um gato acossado por um cão de dentes afiados.

A juventude chegou ao poder; a juventude das cidades, das grandes cidades, e das ciências humanistas jurídicas empresariais, que sabem muito do nada e nada ou pouco do essencial.

Aos princípios especulativos, eu acrescento um quinto – nenhuma religião ou sistema político pode impedir ou frenar a investigação porque os benefícios escolhidos são património de toda a humanidade.

Dos operativos, que são 11, basta citar três: o princípio da equidade; a virtuosa benfeitoria/ gratidão e do credo. Até à maioridade os filhos têm a crença dos pais (número 11 ).

Se assim fora, será que a A.C.M (Associação Cristã da Mocidade), de que fui presidente, após muita solicitação do senhor doutor Horácio Pinto e Graciano Matos, e, a direção a que presidi encontrou-a numa situação pouco favorável; apesar do incêndio da sede, que alastrou, os bombeiros, embora tenham chegado atempadamente, só havia fumo e surgem as labaredas, tudo porque não brotava água das bocas-de-incêndio (culpa da câmara mas nem deu nem pedimos qualquer subsídio).

Cria-se uma comissão para angariar fundos, presidida por um elemento da direção, ligado à comunicação social, nem um escudo angariou. Valeu-nos o seguro ( 16000 contos, cautela do senhor Graciano) e 15 000, arranjados por mim: – Gulbenkian 10 000; ministro Fernando Nogueira, 5000; hoje a fundação AO 3000 (painel em azulejo do salão nobre, do artistas Fernando Crespo interpretando a minha frase “As Ideias não se digladiam, digladiam-se os Homens pelas Ideias”.

O doutor Vítor Batista, governador civil, deu uma pequena comparticipação, menos do que o prometido, não por sua culpa, mas da responsabilidade do governador que lhe sucedeu.

Na comemoração dos 90 anos da ACM, entre as múltiplas atividades, fez-se uma exposição de pintura, no salão nobre da ACM, aberta ao público, mas pensando nos sócios devido à colaboração dos artistas de Coimbra e, um concurso literário com três componentes ou modalidades, publicadas em três volumes assim designados: Poesia e conto (I volume); Problemas sociais (II volume); Memórias do nosso tempo (III volume).

O júri era presidido pelo professor catedrático Aníbal Pinto de Castro. O regulamento do concurso – ponto 1 – o concurso é nacional e dirigido especialmente aos associados das ACM’s de Portugal – YNCA. Foram publicados os três volumes, 250 de cada exemplar.

O terceiro volume foi posto no Índex por uma Assembleia Geral a que presidia um juiz de direito jubilado. Onde pararão os exemplares de cada um dos livros? Terão desaparecido? Estão escondidos? Vêm aí os 100 anos. Só virão à luz do dia nessa ocasião? Que grata surpresa será! Que figurassem apenas um de cada volume no expositório da ACM e, não apenas judo. Já nos sentiríamos consolados!

Donde o permitir da liberdade está sujeito à discriminação de quem manda; o poder não há meios para acionar a justiça e comtemplar a razão.

Não se escondam atrás da liberdade. Quem tem o poder é apenas vil mercador e manipulador das suas conveniências. Vêm aí os 100 anos, façam alguma coisa. Que seja melhor do que nós fizemos, para nosso consolo e alegria! A ACM bem o merece! Oxalá sejam capazes! Aguarda-se…

Respeite-se a equidade, a gratidão/virtuosa benfeitoria, o credo, de quem nos amamentou.

Participaram no concurso António Filipe Teixeira (1.º prémio de poesia), Norberto Canha (menção honrosa), atribuídos pelo júri; Alfredo Bastos, António Fraga, Alpírio de Oliveira Ferreira Dias (menções honrosas atribuídas pela direção da ACM); Conto: Norberto Canha, menção honrosa, júri; Alfredo Bastos, menção honrosa, direção.

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