Opinião – Refugiados

Posted by
Aires Antunes Diniz

Aires Antunes Diniz

Todos os dias se fala de refugiados e demasiados paísespropagandearam que os irão desapossar dos seus pertences se e quando lá chegarem.

Fazem-no numa atitude insólita que parece ser tirada dos tempos da Inquisição, tal como Camilo Castelo Branco, acusando o Marquês de Pombal, relatava “No ano imediato, no Auto-de-Fé de Coimbra, saíram condenados vinte e um homens e treze mulheres.1”

Contudo, os refugiados não são acusados de qualquer heresia. São apenas empurrados para fora dos seus lares e lugares por gente que ninguém parece querer identificar. Tentam só refugiar-se numa Europa financeiramente à deriva por força de uma voracidade sem limites, onde, pasme-se, se fala da falência iminente dos seus maiores bancos tal como já aconteceu em Portugal com o BPN, BES e BANIF. Mas, não se fala claramente de corrupção. Só se esconde.

Acompanha este triste prenúncio, a descida continuada das taxas de juro pagas aos aforradores e, ainda, a ameaça de que parte das suas poupanças poderão ser usadas para recapitalizar estes bancos. São falências que ninguém explica pois tal envolveria denunciar falsos ídolos da finança e, também, a insensata incompetência das agências de notação financeira que, até, se “pensava” serem as guardiãs do sistema financeiro.

Falharam assim os “remédios milagrosos” do monetarismo.

Está assim intimamente ligada no tempo a deriva financeira e a insensata indecisão europeia sobre o que fazer com o drama humano dos refugiados, onde às crianças fica reservada a parte mais dolorosa já que estão na mira de redes mafiosas, que as irão usar para abusos sexuais, mendicidade e tráfico de órgãos.

Enquanto isso acontece, do outro lado do Atlântico, o Povo Americano vê-se confrontado com a indigitação provável de Donald Trump como candidato presidencial republicano, trazendo tal hipótese inquieta a parte mais humana dos defensores do capitalismo neoliberal, mas que em si gera todas estas aberrações.

Entretanto, assistimos a baixas continuadas do preço do petróleo, que favorece o crescimento da taxação fiscal dos combustíveis na Europa sem que os contribuintes o notem. Só o notarão quando finalmente o preço do petróleo subir para níveis normais.

Ao mesmo tempo, vamos sentindo que a austeridade como remédio nada resolveu, apenas deitou mais achas para a fogueira onde se queimaram empresas e empregos, reduzindo a produção de bens e serviços que nos faltam, evidenciando enfim a nossa pobreza. E nota-se a fragilidade das “teorias económicas” com que nos tentam convencer a aceitar a insensatez do nosso tempo.

De facto, nele não encontramos refúgio para escapar às dores do nosso quotidiano pois somos acossados por exigências de mais sacrifícios. E já sabemos que nada disto resulta. Digamos por isso basta.

1  Camilo Castelo Branco – Perfil do Marquês de Pombal, Porto Editora, Porto, 1981, p. 162.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.