Opinião – A propósito do “Banco de Fomento”…

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Gil Patrão

Gil Patrão

O que será…, que antes de ser já o era?” Inocente adivinha da primeira infância, recordada a propósito de recente Instituição Pública Financeira, criada para ajudar à recapitalização das PME´s (pequenas e médias empresas), mas que mal iniciou a atividade logo pediu autorização à Comissão Europeia para alargar o escopo de ação às GE´s (grandes empresas).

Enquanto crianças, foi fácil decifrar o enigma. No tempo atual, e no contexto financeiro, a resposta a uma tão simples pergunta pode não ser tão óbvia como foi, ”in illo tempore”, acertar no que seria…

É que, ao observar as empresas nacionais, apetece dizer “disparate”, palavra “pescada” da falta de senso de quem dirige tal Instituição parabancária, pois não devem desviar o foco de atenção das PME´s para apoiar GE´s, que sempre tiveram e terão outros meios de financiamento e capitalização. Devem sim criar um conjunto coerente e persistente de medidas para modernizar as PME´s, que são a espinha dorsal do desenvolvimento empresarial do país, mas desde sempre enfrentam dificuldades para obter crédito em condições que as tornem muito mais competitivas.

Todas as empresas são importantes, pelo que, sem subestimar qualquer uma, o Estado deve apoiar empresários capazes e competentes que queiram dinamizar negócios e criar postos de trabalho que promovam uma acrescida empregabilidade para tanta mão-de-obra que está desempregada.

Só que as dinâmicas empresariais não têm paralelo entre GE´s e PME´s, e lógicas empresariais diferentes carecem de sistemas de apoio e de mecanismos de ação distintos.

Não considerar a dinâmica de atração de capital pelas grandes empresas, é esquecer o que faria um só choupo no meio dum nabal, pelo que o Governo não deve ter políticas que sequem as PME´s em detrimento das GE´s. É vital apoiar PME´s viáveis, para a Economia progredir mais.

Apoiar miríades de PME´s, que empregam grande parte da força de trabalho que existe ao longo do país, é tarefa tão complexa como difícil e urgente. Sendo difícil, a instituição que a dirige deve ter presente a realidade empresarial existente. Sendo complexa e urgente, o Governo deve exigir que essa Organização tenha um modelo de negócio capaz e um quadro de funcionamento eficaz, o que desde há muito já devia estar a acontecer no que se diz ser o “Banco de Fomento”.

Não havendo entre nós a tradição do povo aplicar poupanças no mercado de capitais, importa conceber sistemas que levem pequenos aforradores a confiar no sistema financeiro e no sistema produtivo nacional, para obter mais-valias que animem o povo. Um fundo específico para apoiar as PME´s, aberto a quem detém pequenas poupanças, em sistema decalcado das Obrigações do Tesouro, mas com condições de remuneração mais atrativas, que compensem maiores períodos de imobilização das poupanças, poderá ser uma das vias para se iniciar um capitalismo popular.

Um mecanismo de fomento de poupanças e de alavancamento empresarial, que seja ponte entre o interesse de pequenos aforradores e a necessidade de capital de PME´s, criará dinâmicas de poupança e de aplicação de capital privado neste tipo de empresas. O Estado, como garante do sistema, atenuará o risco financeiro dos pequenos investidores, o que ajudará a mobilizar as pequenas poupanças privadas, levando ao sucesso popular deste tipo de aplicações financeiras.

Como a ideia dum fundo eivado de incipiente capitalismo popular, exposta no Diário As Beiras, agradou à então oposição que agora governa (ver Opinião de 2014-11-14 ), sugiro ao Governo que não perca tempo para legislar e criar um Fundo Popular…

É que nunca se sabe por quanto mais tempo o povo ainda terá umas magras poupanças que possa aplicar em fundos populares…

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