Opinião – Sair da crise. Como e com quem?

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Gil Patrão

Gil Patrão

Crises morais, sociais, políticas e económicas, interligadas e resultantes da perda de confiança nos sistemas sociais e económicos, e nas lideranças políticas que temos há muito tempo, criam intermináveis espirais de desânimo que passam de avós para filhos e destes para netos, levando sucessivas vagas de emigrantes a buscar emprego, de preferência em países mais desenvolvidos.
Há quem culpe a União Europeia pelo perdurar da atual crise económica e por não podermos desvalorizar a moeda, e que por isso diga que devemos sair do euro. Entre quem não o diz agora mas o defendeu antes, alguns são governantes e outros há que dão suporte a quem nos governa. Mas não são salários baixos, mesmo quando associados a brutais desvalorizações cambiais, que desenvolvem as economias. E a desvalorização monetária não é só por si solução milagrosa, sendo mais fraqueza que força capaz de estruturar a economia, embora no passado tivesse ocasionado fraco crescimento económico que melhorou, fugazmente, o nosso défice comercial.
As crises de confiança, quando se instalam, refreiam a capacidade de gerar um desenvolvimento salutar e são difíceis de ultrapassar, impondo a todos trabalho árduo para o conseguir. Em particular à comunicação social, que se noticia o que acontece no mundo, deve denunciar mordomias políticas imorais e rendas públicas obscenas atribuídas pelos governos a empresas!
Para alcançar maior desenvolvimento precisamos de políticas ambiciosas em todos os setores de atividade, e de implementar estratégias políticas que fortaleçam vetores dinâmicos de competitividade, como inovação e investigação, capazes de gerar maior competência e determinação na economia e conquistar mercados. Só que, para tudo isto acontecer, temos que mudar comportamentos que melhorem, sem cessar, a qualidade do que produzimos e vendemos.
Para sermos mais competitivos temos que, entre outras medidas, formar gerações muito aptas, melhorar competências profissionais de ativos, incentivar empresas a produzir grande parte dos bens alimentares que importamos e a exportar bens de alto valor acrescentado, e motivar trabalhadores, empresários e investidores, mas é preciso haver mais verdade social, política e económica para, fruto do nosso trabalho, sermos capazes de nos impor nos mercados globais.
Precisamos de mais empregos, a criar pelo Estado e agentes privados que acreditem no país para gerar riqueza, devendo o governo inspirar confiança para atrair investimentos que viabilizem políticas de desenvolvimento e integração, num tempo em que as tecnologias encurtam distâncias mas alargam desigualdades, ao invés de induzirem maiores entendimentos sociais.
As políticas têm de ser coerentes com a realidade económica nacional e internacional para desburocratizar o país, minorar custos de contexto para empresas, aumentar a competitividade, atrair capitais e melhorar ambientes de negócios, e só com líderes políticos competentes e capazes é que poderemos criar riqueza e excedentes financeiros com que amortizemos dívidas. Mas, se o governo continuar a iludir questões económicas e não ficar descomprometido e livre de interesses político-partidários, não governará o país com rigor nem sairemos da crise. Certo é que se este governo não mudar de rumo, a crise será irreversível…, e eterna para muitos de nós…
Coimbra, 2016-02-07

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