Opinião – Os maus não vencem sempre…

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Luís Santarino

Luís Santarino

A notícia mais importante do Portugal de hoje é o número de cidadãos que não sabem “nem ler nem escrever”! Quinhentos mil – 500.000 – meio milhão!

Para quem achava que durante os últimos 40 anos o analfabetismo tinha diminuído, aí está a triste realidade. Não contam, portanto, os iletrados. Aqueles que ao longo da vida não conseguem ler “meia dúzia” de livros! O dramático da questão é que o cidadão comum não se indigna, talvez porque, em comparação com outros países até nem estamos assim tão mal! Uganda, Mali ou Guiné Equatorial, por exemplo. Um desastre!

Para quem cresce na área urbana e não tem uma preocupação diária com a educação dos jovens, poderá parecer que este número tenha algo de exagerado. Só que, afastando-nos um pouco da malha urbana, apercebemo-nos que o desastre é ainda maior.

A verdade é que temos andado a brincar com coisas sérias.

Preocupados com o seu umbigo, os decisores políticos afastaram-se dos desígnios do povo e entregaram-se a outras actividades… umas mais lícitas do que outras!

O desejo de fazer a “obra do século”, a preocupação de grandes reformas sem estudo prévio e a análise falaciosa dos resultados, sim, porque há que deturpar sempre os resultados para que ninguém fique mal na fotografia, atiraram-nos para o fundo da tabela.

Se este facto não fosse por si só motivo de preocupação, eis que actos ilícitos atormentam a vida dos cidadãos. A pergunta é pertinente: se na “sua própria casa são capazes das maiores trafulhices, de que seriam capazes na casa dos outros”?

Ora, em tudo o que me envolvo, leio e estudo cada uma das “Declaração de Princípios”! Que me conste, todas elas apontam para um envolvimento livre e sério, amigo e solidário, penalizando todos os actos que não estejam inscritos na sua matriz.

Na verdade, muitos dos políticos que nos rodeiam são pouco menos do que analfabetos. Outro tipo de analfabetismo. É que, leram, estudaram…só que não perceberam o que liam, o que leram, e tudo foi interpretado de forma obtusa. Por tal, existe uma degeneração objectiva difícil de desfazer. Ou seja, uma perda de qualidades que não conseguiram desenvolver, “arrastando para a lama” o todo e não a parte!

Quando tal acontece, e se acresce tornarem-se decisores por efeito de más práticas de cidadania, isso contagia e estraga o que poderia ser bom e duradouro.

Mas difícil de perceber é o silêncio de “gente” que julgamos acima de qualquer suspeita. Silêncio ensurdecedor que ajuda a passar e passear a impunidade.

Mas há sempre uma alternativa, desde que seja forte, coerente e determinada.

Os maus não vencem sempre. Só vencem, quando os bons se encolhem!

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