Opinião – O preço da ideologia

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Paulo Almeida

Paulo Almeida

Encontra-se prevista no esboço do Orçamento de Estado para 2016 a transferência de uma verba de 223 milhões de euros para a STCP e Carris de Lisboa. Sem contar com a Metro de Lisboa e do Porto (esta última deverá manter-se sob gestão privada).

Qualquer coisa como 0,1% do PIB. Falamos de empresas cronicamente deficitárias sob gestão pública, todas elas. A reversão das concessões a privados da Carris e do Metro de Lisboa levada a cabo pelo governo de António Costa impede uma poupança de 200 milhões de euros anuais, acrescidos de 215 milhões durante o período previsto para a concessão e ainda 170 milhões de euros de indemnizações compensatórias que o anterior governo tinha decidido deixar de pagar já este ano. É um dos preços da ideologia deste governo, dos partidos que o apoiam e da CGTP.

Pergunto-me se “cumprir e fazer cumprir a Constituição” é colocar os contribuintes de Coimbra a pagar os transportes dos contribuintes de Lisboa e do Porto.

Vital Moreira tem-se insurgido contra esta situação, classificando-a de autêntica “espoliação”, de “esbulho nacional em benefício de Lisboa e do Porto”. O nosso Professor ainda pergunta, nos seus textos publicados no blog causa nossa, por que é que ninguém protesta contra este escândalo.

A este propósito, recordo o ano de 2007 e uma Câmara Municipal de Coimbra que usava o seu website e os próprios autocarros dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos (SMTUC) para criticar o Governo pela discriminação dos SMTUC na distribuição de subsídios aos transportes públicos nacionais.

Na altura, o presidente Carlos Encarnação denunciava que “os conimbricenses pagam duas vezes os transportes públicos” porque “pagam com os seus impostos e pagam os bilhetes quando viajam de autocarro”.

Hoje, temos Manuel Machado à frente da autarquia. Este, no final de 2013, acusava o governo da coligação PSD/CDS (o tal que nesta questão dos transportes nos iria fazer poupar muito dinheiro) de mostrar “que só acredita na gestão feita entre o Terreiro do Paço e São Bento, de Lisboa” e ainda que o Orçamento de Estado, na altura o de 2014, era um dos “documentos mais centralistas que já foram produzidos em Portugal”, que tratava os municípios de forma “lesiva” e “ilegal”.

Volvidos dois anos e com novo governo à frente dos destinos do país, do edil Manuel Machado de 2016 nem uma palavra. A ideologia de alguns parece estar à venda.

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