Opinião – O Paço

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Miguel Almeida

Miguel Almeida

18 anos a câmara municipal decidiu, por unanimidade, adquirir o paço de Maiorca. Nos meses seguintes à compra fizeram-se obras de recuperação do edifício e jardins e, em 1999, foi aberto ao público.

Nos belíssimos jardins do Paço, realizaram-se os Encontros Internacionais de Música de Maiorca, assim como, espetáculos de arte equestre, que constituíram um enorme sucesso. Infelizmente, o espírito que presidiu à ideia de Pedro Santana Lopes quando decidiu a sua compra, foi-se esboroando com o passar do tempo.

Em 2004 o Paço é encerrado ao público e inicia-se o caminho para transformação num hotel de charme. O edifício passa para a posse de uma empresa criada entre a Figueira Grande Turismo e o grupo Quinta das Lágrimas e em 2009, iniciam-se as obras para converter o Paço em hotel.

Durante o decorrer dos trabalhos é decretada a insolvência do empreiteiro e a obra parou uns meses. Retoma sobre orientação da empresa de fiscalização e em 2011 a câmara decide mandar parar por imbróglios jurídicos e financeiros e falta de entendimento com o parceiro de negócio. Ou seja, depois de investidos 4.2 milhões de euros e faltando 1 milhão para terminar, a obra para, e está há cinco anos sem qualquer cuidado na preservação do investimento realizado.

Uma coisa é ser contra, tal como eu, do modelo de negócio que se criou, mas coisa diferente é a irresponsabilidade de não cuidar do investimento já efectuado. Este executivo já leva seis anos de mandato, parece-me tempo suficiente para encontrar uma solução definitiva para o Paço.

One Comment

  1. Zé da Gândara says:

    Sôdôtôr, carecendo o município de um monumento que o identifique fora de portas (tipo um Palácio da Pena, uma Torre Eiffel, um Museu Guggenheim, whatever) e sendo de facto o monumento uma obra de arte fantástica, não julgará sua excelência que a conversão em hotel foi uma delapidação do património?
    Não quer aqui elucidar os seus leitores de quem partiu a decisão de encerrar o Paço e de constituir a PPP para a conversão do Paço em Hotel de Charme?
    Creio que isso seria revelador… Até porque, bem vistas as coisas, se andamos com um autocolante no fato ou com um pin na lapela, temos de ser consequentes e de saber arcar com o que simboliza o pin ou o autocolante e com aquilo que foi feito em nome do que simboliza o pin ou o autocolante… Eu por exemplo, não o estou a ver fazer campanha "pelas Gândaras" junto dos seus amigos industriais produtores de estrume animal e do mau cheiro associado, vestido com uma camisola que contenha a foto de perfil do Che Guevara… Ou será que estou errado e o Sôdôtôr, no sentido benigno da expressão, é um "fanfarrão saudoso dos tempos da borga da juventude"?

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