Opinião – Notas soltas, mas encadeadas

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Norberto Pires

Norberto Pires

Maternidade: Em Portugal existe um total desrespeito pela maternidade e pela família. Não podemos ficar por isso muito admirados com a baixíssima natalidade, e com o facto de um numero crescente de mulheres adiar ao máximo a maternidade e limitar muito o numero de filhos. Apesar das muito boas intenções, dos estudos pomposamente apresentados e do gigantesco cardápio de medidas propostas, a verdade é que o país não respeita o seu futuro. Troca-o, de imediato, por meia dúzia de tostões a curto-prazo. Mais do que ignorância irresponsável é um problema cultural. Temos muito a fazer e um caminho longo a percorrer, mas é importante discutir os aspetos ligados à maternidade, ao seu impacto no emprego e na carreira profissional, à opção que isso significa em termos familiares, à necessidade de proteger decisões corajosas – porque implicam cedências noutros campos de atividade, incluindo o profissional – de ter famílias numerosas e ao facto de tudo isto precisar de ser educado – debatido – desde muito cedo. Hoje, olho para vários relatos que vejo na comunicação-social de mulheres que sofreram as mais variadas tropelias só porque queriam ser mães, e percebo que apesar dos abanar-de.cabeça tudo o resto nos faz cobardemente permitir que assim continue a ser e seguir em frente. Há, no entanto, algo de suícida e louco neste comportamento que precisa de ser compreendido. Diria mesmo que o próximo Presidente da República deveria colocar a maternidade como assunto prioritário na sua agenda presidencial.

OE2016: Olho para a estratégia infantil da oposição relativamente ao OE2016, vejo certos comentários feitos por gente que devia ter juízo e capacidade de ver mais do que 1mm à frente do seu nariz, e fico verdadeiramente pasmado; E a pensar quem será o “estratega” (lol) desta verdadeira hecatombe de uma área política que não revela o menor discernimento, capacidade de antecipação e sentido de Estado para fazer aquilo que é suposto: oposição séria, muito competente e lúcida.

Mentir: Os políticos dos vários partidos têm andado a divertir-se a acusar uns e outros de terem mentido a Bruxelas. E colocam tudo isso em jornais e nas redes sociais, para que toda a gente saiba. E a disputa não é sobre a existência ou não de uma mentira, repondo a verdade, mas sim sobre quem mentiu primeiro. Vista de fora a imagem é deplorável. Um país a dar tiros nos pés, reconhecendo que aparentemente anda a mentir à UE há muito tempo, e a perturbar uma negociação difícil do Governo com a Comissão Europeia. É triste de ver.

Falidos: O país faliu é verdade, há muito tempo. Faliu financeiramente, e isso é bem visível. Mas essa falência económica e financeira resulta de outras falências bem mais graves. Falimos nos objetivos, que são agora também importados. Falimos na capacidade de definir o interesse nacional, porque é tudo de curto prazo centrado em circunstâncias pessoais e de pequenos grupos. Falimos na capacidade de julgamento, porque não valorizamos a nossa identidade. Sem identidade, a falência é total. Hoje discutimos coisas técnicas impostas de fora, e atiramos a matar sem perceber que atiramos sobre nós próprios, sem sequer querer perceber o que é importante, o que somos e o que um dia quisemos ser. Um país sem identidade e sem amor próprio. Falido, portanto.

Depois de escrever estas notas, e muito preocupado com o imenso ruído criado com muita gente a prejudicar o país por razões politico-partidárias meramente táticas de curto-prazo, leio o seguinte no jornal Público: “Seja como for, em Bruxelas (ou Estrasburgo) considera-se que o pretendido efeito “puxão de orelhas” já foi alcançado, e que servirá de exemplo para outros países, nomeadamente Espanha”. Ou seja, Portugal um país que já dividiu com Espanha o mundo ao meio e que tem a história que tem, está reduzido a um simples exemplo de puxão de orelhas. How low can we go?

One Comment

  1. Zé da Gândara says:

    O Sôdôtôr Norberto aflige-se com o "estado a que o Estado chegou"? Pelo andar da carruagem, quer masé parecer-me que o Sôdôtôr quer abandonar a putativa militância do PSD e filiar-se no PCP…

    Não se lembra sua excelência que o seu partido de mãos dadas com o partido dito "Socialista" sempre se afirmaram como "europaístas" e que sempre defenderam a dita "integração Europeia"?

    Não lhe parece que terá sido essa dita "integração Europeia" a ditar o fim da soberania nacional por via dos Tratados de Maastricht e de Lisboa através de coletes de forças como o Euro e o "Tratado Orçamental", para nem recuar aos tempos da abertura ao dito "mercado único"?

    Ou quereria sua excelência que Portugal mamasse fundos comunitários e nada desse em troca?

    Deverá sua excelência se assim entender, passar uns dias pela biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade onde sua excelência trabalha e procurar cultivar-se um nadinha, recorrendo se for necessário à prestosa ajuda de algum colega seu dessa Faculdade de Letras (que conheça História) para sorver alguns conhecimentos básicos da forma de actuar dos países Europeus ao longo de séculos para perceber o que se passou, se ainda não percebeu o que se está a passar e o que se tem passado…

    Se não se quiser maçar muito a esse ponto, basta que leia um pouco de Natália Correia… Ou mesmo do padrinho de baptismo do seu camarada Marcelo Sousa!

    Passe bem Sôdôtôr!

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