Opinião – Na escola, o dia todo….

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Gil Patrão

Gil Patrão

O governo divulgou duas notícias relativas à área educativa. Numa dizia que os alunos até ao 9º ano de escolaridade virão a permanecer nas escolas das 8h30 às 19h30. Logo houve aplausos de professores e demais educadores, como se fosse realidade.

Mas a realidade é virtual, por se tratar de promessa eleitoral do PS que poderá vir a acontecer numa legislatura que talvez nem dure o tempo consignado na Constituição. Oxalá dure, mas para a ideia se concretizar, há que ver com que recursos materiais e humanos, e qual o custo da medida! A outra notícia respeita ao ensino superior, que é exemplo do laxismo do Estado e dos governos que há muito temos tido.

Há escolas superiores que conferem licenciaturas em áreas diversas que merecem ser caso de estudo, pois as aulas começam anualmente lá para finais de setembro e duram até meados de dezembro; seguem-se dois meses de interregno, para quem não passou por frequências poder fazer exames. Reatadas as aulas, estas duram até maio; a seguir, exames e férias… E pronto, está o ano feito!

No segundo semestre do terceiro ano não há aulas, mas sim estágios, o que é de louvar. Basta ir às aulas cerca de quinze meses para quem se matricular nessas escolas ser “doutor”, durando as aulas menos de metade dos 3 anos destinados a adquirir conhecimentos na escola ou fora dela, pois a vida também ensina! Assim vai o estado do ensino superior no país…

As vantagens deste sistema de ensino, reconhecido e aprovado pelo ministério da educação, vão do imenso tempo livre – que permite outros interesses considerados relevantes para uma “formação” que supere a educativa – ao incremento dado à economia local por quem consome tudo o que o dinheiro permite em “shoppings”, discotecas, bares, cafés e outras lojas, enquanto gasolineiras e empresas de transporte prosperam com a ida semanal dos estudantes a suas casas, pois os horários escolares, mesmo nos parcos quinze meses de aulas, são muito, mas muito flexíveis, e deixam imenso tempo desocupado, o que permite viajar para qualquer lado.

Contudo, as escolas que seguem este modelo poderiam vir a ser utilizadas para, no mesmo lapso de tempo, ministrarem mais cursos e formarem milhares de alunos sírios e outros imigrantes acolhidos pela Alemanha, que o governo português aceitou poderem vir cá fazer os estudos superiores, pagando os alemães as propinas desses estudantes internacionais… Não há como ter imaginação, para ajudar quem mais precisa, tenha sido germânica ou lusa tão luminosa ideia.

Veremos se professores e funcionários de escolas que, apesar de tantas facilidades dadas, têm falta de alunos, terão tempo para ministrar mais cursos ou se haverá que reforçar quadros. É que há que respeitar direitos adquiridos por alguns, e não ultrapassar 35 horas de trabalho semanal, benéfico para criar mais empregos públicos para os desempregados que há. Claro que todos pagaremos anualmente as contas sem mais impostos diretos, mas com muitos mais indiretos!

Se as escolas, do pré-primário ao superior, devem educar, formar e fomentar nos alunos o gosto pelo trabalho, recomendo ao jovem ministro da educação que observe melhor, e de perto, o modelo descrito. Depois disso, sugiro que faça algo de útil por este país, que também é seu! Aproveite esta oportunidade que nos é oferecida pela Alemanha e reformule o ensino superior, tornando-o mais exigente e formativo.

Para acabar com a atual trapalhada educativa, nem precisará do tempo todo da legislatura que, a bem da estabilidade governativa, se deseja longa…

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