Opinião – De olhos bem fechados

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Paulo Almeida

Paulo Almeida

As queixas, acusações e protestos das crianças são normais. Fazem parte do seu desenvolvimento emocional. Antes da maturidade se estabelecer definitivamente na sua personalidade, esta revela fases narcísicas que se vão esbatendo à medida que adquirem as ferramentas sociais que as ensinam a lidar com a frustração. Até lá, muito do que fazem é a exigir a atenção dos adultos.

Perante expressões como “Mamã, o mano roubou-me a TAP”, “Papá, eu vou contar ao tio MP que há suspeitas de burla no negócio da TAP” ou até afirmar à mesa com toda a família presente “a TAP deve ser pública e permanecer pública, sem ambiguidades, para bem de todos os portugueses, e apenas uma declaração de nulidade torna possível, sem encargos para o Estado, declarar nulos os contratos lesivos que têm vindo a ser realizados por esta nova Administração ilegal da TAP”, não se pode olhar para o lado e assumir que os lamentos são injustificados. Devemos prestar atenção porque a criança até pode ter razões de queixa.

Mas prestar atenção não significa aceder a todos os queixumes. Quando tal se justifique, qualquer intervenção deve fazer ver à criança que não é o centro do mundo e que deve levar em conta a presença, emoções e interesses dos outros.

Depois de se congratular com a decisão definitiva anunciada pelo Governo de recuperar a maioria do capital da TAP, um sinal de maturidade será, com certeza, desistir de persistir com a questão quando fica muito claro que o Estado pagou 1,9 milhões de euros ao consórcio Gateway por 14% do capital. Para ficar maioritário? Não, óbvio que não. Para a TAP ter uma gestão pública? Também não, mas ao menos o Estado pode nomear seis adultos para o conselho de administração.

One Comment

  1. Zé da Gândara says:

    Óh Sôdôtôr, vá lá masé ver o filme intitulado de "Eyes Wide Shut" do Stanley Kubrick que até exibe a Nicole Kidman no auge da sua áurea de femme fatale e poupe-nos às suas diatribes enviesadas e que revelam indícios de regurgitamento tardio e que exala um bafo a azia que nem lhe digo, nem lhe conto!

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