Opinião – Cabo Mondego

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Miguel Almeida

Miguel Almeida

O Cabo Mondego, ponta ocidental da Serra da Boa Viagem, não pode ver a sua importância dissociada do valor geológico, ambiental, paisagístico e turístico da própria Serra.

A atividade de uma Indústria Extractiva, que funcionou por mais de 250 anos, destinada à extração de Carvão e, mais tarde, ao fabrico de Cal Hidráulica e de Cimento, resultou na destruição do solo e da paisagem, colocando em risco de desaparecimento – quase total – de um património geológico e natural único a nível mundial.

A qualidade do registo sedimentar do Cabo Mondego, que permite identificar alguns dos principais acontecimentos da História da Terra – num intervalo de tempo entre os 185 e os 140 milhões de anos – justificou a classificação por parte da UNESCO passando a constituir, a partir de 1994, o Padrão Internacional da Evolução Geológica da Terra.

O seu estudo pela Comunidade Científica e as referências em toda a documentação da especialidade constituíram, por isso, fundamento para que em 2001, no mandato de Pedro Santana Lopes, a câmara municipal tenha iniciado o processo para classificar o “Geo-Monumento do Cabo Mondego” como Monumento Natural, o que, infelizmente, só terminou em 2007.

No inicio de 2013 a Cimpor encerrou a atividade e ao fim de 3 anos, continuamos sem nenhum projeto de requalificação e lá continua a imensa “ferida aberta” sobre a paisagem da Serra da Boa Viagem.

Não se compreende a passividade da câmara municipal junto da Cimpor, na exigência do cumprimento do contrato de concessão. É inaceitável a ausência de um projeto de requalificação e valorização daquele espaço. Como repetidas vezes tenho referido, é preciso mais ambição.

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