Ricardo Rodrigues lamenta falta de informação da APA

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Foto Luís Carregã

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O presidente da União de Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela está indignado com a falta de informação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para com esta Junta de Freguesia relativamente à proposta formulada pela CIMPOR que se encontra em período de discussão pública que termina hoje, 21 de Dezembro.

Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, Ricardo Rodrigues afirmou que já fez sentir, junto deste organismo público, via o Portal “Participa” as suas preocupações relativamente a esta questão. No seu entender, a redefinição dos valores limite de emissão (VLE) associados ao poluente Carbono Orgânico Total (COT) nos fornos de coincineração de resíduos do Centro de Produção de Souselas não pode tratada “quase às escondidas”.

“Se não fosse a notícia do DIÁRIO AS BEIRAS da passada terça-feira, a informação tinha passado ao lado da cidade de Coimbra e da sua zona norte em particular”, afirmou.

No referido portal “Participa”, e depois de mostrar a sua indignação relativamente a esta questão, o autarca solicitou a prorrogação do prazo para a consulta pública promovida no âmbito do referido pedido da empresa CIMPOR ou a abertura de um novo período e a consequente divulgação formal junto de diversas entidades púbicas e da sociedade civil da cidade de Coimbra.

“Para além das Juntas de Freguesia de Trouxemil e Torre de Vilela, JF de Souselas e Botão, JF de Brasfemes e JF de Antuzede e Vil de Matos, além da JF de Barcouço já no concelho da Mealhada, a APA deveria trazer à discussão a Câmara Municipal de Coimbra, a qual presumo também não tenha sido notificada deste assunto, a Universidade de Coimbra, a Administração Regional da Saúde do Centro, a QUERCUS”, afirmou.

39, 75, 82 ou 100 mg de COT

Questionado sobre as razões que o levam a estar preocupado com este pedido, Ricardo Rodrigues recorda a proposta enviada à APA pela unidade fabril de Souselas da CIMPOR. Nesse documento, que consta do pedido, é referido que o atual nível de emissão no forno 3 da unidade de Souselas é de 39 mg, com a empresa a solicitar uma de duas alternativas: a sua alteração para 100 mg neste forno e no forno 2 ou o estabelecimento de um valor limite de 75 mg para o forno 3 e de 82 mg para o forno 2.

“Isto representa um aumento do valor limite autorizado para duas vezes a duas vezes e meia mais do que existe atualmente”, afirmou. A alteração, no que diz respeito ao forno 2, só produzirá efeito quando ele começar a efetuar o processo de coincineração.

Apesar do documento referir que esta alteração “não é suscetível de gerar qualquer poluição significativa adicional face ao verificado atualmente nem de produzir efeitos negativos no ambiente”, Ricardo Rodrigues reconhece que este aumento previsto das emissões de COT trará forçosamente consequências pelo menos a médio e longo prazo nas populações da cidade de Coimbra e da sua Zona Norte em particular.

“É uma situação muito séria e preocupante que deve merecer uma ampla discussão pública envolvendo técnicos diversos, do meio académico e político, coisa que não aconteceu até à data”, frisou.

Como tal, o presidente da União de Freguesias de Trouxemil e Torre de Vilela vai endereçar convites para a realização de reuniões com as entidades que no seu entenderiam deveriam envolver-se nesta questão. São elas: a APA, a CCDRC, a Câmara Municipal de Coimbra, a Assembleia Municipal de Coimbra, as restantes juntas de freguesia da zona Norte, CIMPOR, Quercus e ERSUC.

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