“Portugal não tem e precisa de ter uma política de língua”

FOTO DB/CARLOS JORGE MONTEIRO

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Este é um congresso a marcar o encerramento dos 725 anos da Universidade de Coimbra e dedicado ao futuro da língua portuguesa?

Este congresso é o dos 725 anos da Universidade de Coimbra (UC). Talvez nos 750 anos haja outro congresso sobre a língua portuguesa. Não sei se nos 800 anos ainda teremos um congresso sobre esta língua portuguesa que hoje falamos. E o congresso é em parte sobre isso. É sobre o futuro da língua portuguesa, mas esse futuro tem, à frente dele, uma grande interrogação. Daqui a 100 anos ainda falaremos a língua portuguesa? Nós falaremos, certamente. Mas será que ainda nos vamos entender com os angolanos, com os brasileiros e com os moçambicanos? O congresso, de alguma forma, coloca estas questões.

E esse é talvez o grande repto que hoje se coloca?

Esse é o grande repto. E é um grande repto que vive dividido entre duas tentações: a tentação da diversificação sistemática, que leva à fragmentação da língua, e a tentação da regulação excessiva, que leva a uma unificação artificial. E, no fundo, disfuncional. O que nós precisamos de fazer nas próximas décadas e séculos, se entendermos que vale a pena um grande espaço desta língua portuguesa, é traçar uma bissetriz entre estes dois extremos. Cuidar de uma relativa coesão, sem por em causa o direito a uma relativa diversidade.

O que sempre houve?

Que não só houve sempre, como sempre foi reconhecida, até mesmo pelos líderes da descolonização. Hoje já muita gente se esqueceu que, em 1971 ou 72, pouco antes de ser assassinado, Amílcar Cabral fez uma reunião com quadros do PAIGC e disse que depois da independência se devia continuar a usar a língua portuguesa.

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