Opinião – Os Clássicos de Natal na Infância e na Juventude

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Hélder Rodrigues

Hélder Rodrigues

1.A importância dos clássicos ao longo da vida

Neste tempo de Natal, que nos convoca à reflexão e à espiritualidade, é bom ficar em casa, abrandar o ritmo, regressar á leitura dos clássicos. Obras, universais e intemporais, que nunca acabam de nos surpreender, que nos confrontam com a vida e ajudam a conhecermo-nos melhor. Haverá alguma coisa mais importante do que nos conhecermos a nós mesmo? Existem muitos escritores e poetas portugueses (a maior parte deles, antigos estudantes de Coimbra) que nos legaram textos clássicos de enorme grandeza, sobre o Natal. Com todos convivemos e aprendemos, ao longo da vida, a crescer e moldar o espírito e a sensibilidade. Somos deles, grandes devedores! Nesta crónica falaremos sobre a sua influencia na infância e a na juventude, na próxima sobre a vida adulta e a maturidade

2.Os clássicos na fantasia maravilhosa da Infância

Durante a Infância (em tempos de pré primária e Primaria) o Natal para nós “eram as prendas”! Trazidas pelo Pai Natal, de barbas brancas e vestido de vermelho, com uma saca às costas! Dada a meia noite, entrava sorrateiro pela chaminé e vinha colocar no sapatinho, os brinquedos que tínhamos visto na Rua dos Bazares no dia anterior! Eram prendas simples , que os dinheiros não davam para mais! Uma bola, o jogo da Gloria, uma caixa de lápis de cores que duravam semanas a fio. Nesse tempo os clássicos que soletrávamos e decorávamos eram Augusto Gil, João de Deus e Afonso Lopes Vieira, que nos envolviam num Mundo de fantasia e amor! Augusto Gil já nos avisava de qualquer coisa que não estava bem quando dizia; ..mas as crianças Senhor/ porque lhes dais tanta dor/ porque padecem assim?. Mas nessa altura passávamos à frente ( …concerteza foi algum puto que se portou mal, na escola!) porque o Natal era cor e alegria!

3.Os clássicos na consciencialização da Juventude

Durante a juventude (no liceu e na universidade) com o espírito a abrir-se e a consciência a despertar, à procura do Mundo, o Natal passou a ser diferente. Os presentes subiram de valor; rádios, relógios, assinaturas do Cavaleiro Andante ou da Vertice. E se o Natal na Infância era passado à volta do Presépio, já o Natal nesta fase da vida era passado entre um filme de cowboys no Sousa Bastos e um chá dançante particular para amigos. E vieram outros tipos de clássicos que nos relatavam outros Natais: Os Autos teatrais de Gil Vicente; as ceias de Natal minhoto, exuberantes, descritas por Ramalho Ortigão; os Natais românticos e bucólicos na Morgadinha dos Canaviais de Júlio Diniz; A pobreza redimida no Suave Milagre de Eça de Queiroz; as perseguições do “tal das tranças” de Miguel Torga; a tragédia dos simples na sua ruralidade, de Fialho de Almeida. A leitura dos clássicos transportavam-nos a natais diferentes dos que estavam á nossa volta e gradualmente preparavam-nos para outros Mundos e outras situações que mais tarde iríamos encontrar e ter de enfrentar. Com a chamada era da comunicação e do áudio visual verifico que os jovens lêem pouco e muito menos os clássicos. É uma tendência perniciosa, que a continuar terá resultados nefastos para a sua noção de felicidade, a sua concepção de vida, o seu papel na sociedade que os aguarda com esperança!

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