Opinião – O livro e a semana cultural da Universidade de Coimbra

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José Augusto Cardoso Bernardes

 

Como é sabido, a Universidade de Coimbra decidiu assumir o livro como tema da sua 18ª semana cultural, que vai celebrar-se entre 1 de Março e 1 de Maio de 2016.
Parece uma decisão natural. Bastaria lembrar que a Universidade é provida de um bom número de bibliotecas, reunindo, no seu conjunto, um vasto acervo de livros, sendo alguns deles de grande raridade e valor patrimonial.
Nesse plano, Coimbra ocupa lugar de destaque. Pelo mundo fora, de facto, poucas universidades possuem bibliotecas tão importantes e em tanto número, em atividade contínua, pelo menos desde há cinco séculos.
Para além dessa razão mais evidente, porém, esta escolha envolve ainda um outro fundamento: o de que o livro e as bibliotecas continuam a ter um lugar importante nas missões da Universidade.
Sabemos que o estudante de hoje tende para se afastar do livro, substituindo-o pelo resumo ou pelo fragmento solto e desligado do seu autor. Por outro lado, a leitura deixou de ser uma prática perseverante, tendo-se transformado numa atividade fugaz e descontínua.
Ora, mesmo que não seja muito extenso, o livro de conhecimento requer atenção paciente e, mesmo assim, não promete resultados milagrosos. O mais provável é que a leitura não proporcione conclusões duráveis, instituindo novas dúvidas e a necessidade de prosseguir a indagação.
Ao escolher o livro como motivo central da sua semana cultural, a Universidade de Coimbra não se limita, pois, a proclamar a riqueza das suas bibliotecas. Para além desse fundamento (já de si importante), a escolha em causa envolve uma mensagem dirigida para dentro de si própria. Trata-se, desde logo, de uma mensagem corajosa. Mas é, sobretudo, uma mensagem academicamente correta. Para além do suporte que o serve (impresso ou electrónico), o livro é um instrumento privilegiado de estudo e de pesquisa, combatendo a atitude passiva e favorecendo o espírito crítico.
Deste modo, as muitas e variadas iniciativas que hão de decorrer ao longo do próximo ano não vão centrar-se apenas no livro enquanto objeto material. Ao falar da história e das diferentes configurações do livro, a Universidade de Coimbra pretende chamar a atenção para a necessidade de o valorizar enquanto símbolo de uma ética particular, centrada na curiosidade, no esforço, na atenção, e na responsabilidade pessoal dos estudantes. Procedendo desse modo, Coimbra faz o que deve: combate uma tendência negativa e coloca-se em alinhamento com as melhores universidades do mundo.

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