Rigor, transparência, justiça e igualdade

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FOTO DB/LUÍS CARREGÃ

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Dois anos depois de ter tomado posse, Miguel Baptista não esquece os primeiros dias de mandato. Na hora do balanço de meio mandato, o autarca socialista lembrou os primeiros dias em que tomou pulso à gestão do município mirandense. “Encontramos uma câmara com algum dinheiro nas contas, mas com compromissos assumidos de tal ordem que os fundos disponíveis eram de menos de dois milhões de euros”, referiu.

A situação durou quase até ao final desse ano. “Nessa fase, conseguimos respirar um pouco”, frisou. Desde então, o presidente implementou um conjunto de medidas com excelentes resultados. Em primeiro lugar, o rigor imposto nas contas da autarquia, que permitiu a redução significativa (30 por cento) da dívida. Depois, a transparência, o que permitiu ao município mirandense subir do 194.º lugar para o 25.º lugar no índice nacional. Por último, a justiça e a igualdade de tratamento perante todas as instituições e munícipes.

A mudança de paradigma levou que, nestes dois anos, tivessem sido feitas obras “de menor valor mas de grande impacto para a população”. Por exemplo, a instalação do relvado sintético no Campo de Sá Carneiro – e que levou ao aparecimento de uma escola de futebol no concelho – e a remodelação da rede de águas e saneamento no Senhor da Serra e no Lugar das Chãs.
Esta “melhoria” financeira poderia ser sinónimo de “maior investimento” no concelho.

Mas o facto de se “estar numa fase de encerramento de um quadro comunitário e arranque para o novo quadro” leva a que o período seja de preparação de projetos para candidatar ao Portugal 2020. Cadastro do sistema de abastecimento de água e saneamento e a reabilitação urbana são as principais áreas onde o município pretende levar a efeito um conjunto de obras de grande significado económico.

A água e o saneamento é a prioridade, de acordo com Miguel Baptista. “Temos muitos investimentos para fazer no abastecimento de água em baixa, bem como servir algumas aldeias do concelho com saneamento básico”, recordou. No serviço em alta, há ainda um grande investimento para realizar. Apesar das ETAR’s de Semide e Moinhos já estarem quase concluídas, o presidente lembrou que é necessário concretizar os projetos de Vale de Açor e Lamas. Duas estações imprescindíveis, segundo o autarca, pois permitirá ligar a rede de saneamento que se encontra a ser construída pela autarquia.
Ao nível da modernização administrativa, e depois da criação do Portal do Munícipe, a câmara quer instalar na sede de concelho uma Loja do Cidadão. O pedido já é antigo, esperando que o próximo Governo – “seja ele qual for” – aprove a sua criação.

Para concretizar as obras de reabilitação urbana, o município tem em mente a aposta em incentivos fiscais. Ao nível empresarial, a câmara lamenta que disponha de poucos espaços livres para a instalação de empresas no concelho. “Além de termos uma zona industrial bastante antiga, e que carece de intervenção municipal, a nossa grande ambição passa pela criação de um parque industrial na zona de Lamas junto ao nó da autoestrada”, afirmou.

O desporto de natureza e o turismo mereceram forte atenção neste período. A criação de um Centro de Estágio de BTT e Trail Running, em Vila Nova, e a Rota da Chanfana foram apostas ganhas e que se tem traduzido no aumento de visitantes ao concelho. “Uma dinâmica já reconhecida pelos mirandenses”, afirmou.

FOTO DB/LUÍS CARREGÃ

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Solução para o Metro tem de ser em ferrovia

O dossiê Metro Mondego já passou por vários presidentes de câmara. Miguel Baptista gostava de ser o “autarca” que o iria ajudar a fechar, mas as perspetivas não são as melhores.

A falta de definição do Governo não permite “sonhar” em breve com novidades nesta matéria. Independentemente do que venha a acontecer, Miguel Baptista espera que o “Estado honre os compromissos que tem com as populações da Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra”.

Aliás, Miranda do Corvo é, na opinião do presidente, o concelho “mais prejudicado com a interrupção das obras”. “Estamos mais dependentes do comboio para o nosso desenvolvimento do que os outros dois”, afirmou.

Sobre a solução que vier a ser adotada, o presidente disse que não admite outra que não seja de cariz ferroviário. “Estando o concelho a ultrapassar um período em que fomos duplamente prejudicados, espero que a recuperação económica do país e a reposição da justiça traga para Miranda do Corvo a solução que lhe permita voltar a crescer e atingir patamares de desenvolvimento que os mirandenses bem merecem”, disse.

Miguel Baptista aproveitou para lembrar que o primeiro-ministro, ainda em funções, garantiu aos mirandenses “uma solução ferroviária para o Ranal da Lousã”. “Ao fim de quatro anos, veio apresentar uma solução vulgo BRT, autocarros elétricos. Uma solução que não é aceite pela autarquia de Miranda do Corvo”, frisou.

Miguel Baptista espera que o próximo Governo consiga arranjar forma de cumprir o prometido, bem como encontrar a forma de financiamento para a sua concretização. Sobre o seu funcionamento, o presidente da câmara de Miranda do Corvo não tem dúvidas de que, “à semelhança do que acontece nos outros transportes a nível nacional, terá de ser financiado pelo Governo. Este projeto não será sustentável em termos de exploração”, concluiu.

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