Opinião – As lideranças e a falta de solidariedade

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Victor Baptista

Victor Baptista

 

Nas últimas eleições autárquicas o PS alcançou o maior número absoluto de Câmaras de sempre no mapa autárquico distrital, passou de 9 para 12, uma vitória semelhante aquela que se obteve em 2009 quando o PS passou de 6 para 9 e regressou a uma maioria municipal distrital a fazer esquecer a grande derrota em 2001, em que ganhou apenas 5 Câmaras Municipais. Politicamente tão importante é ganhar como impedir que as lideradas pelo PS sejam perdidas.
As lideranças partidárias nacionais e distritais existem para solidariamente afirmar projectos políticos, de continuidade ou alternativos, na afirmação dos valores matriciais partidários e no respeito da vontade dos cidadãos eleitores. A democracia vive da liberdade e assenta na vontade do povo e é este quem mais ordena elegendo os seus representantes.
Como militante de base do PS, que teve responsabilidades ao mais alto nível no distrito, não posso ficar indiferente ao que se está a passar no concelho de Góis, com os órgãos partidários num silêncio confrangedor, a traduzir uma grande falta de solidariedade. O momento exige lucidez política, coragem e determinação a fazer respeitar a vontade do povo goiense. Há momentos em que não pode haver lugar ao calculismo.
Sei do que falo. Todos sabem que em determinados momentos e em vários concelhos, com custos eleitorais pessoais, assumi frontalmente as minhas responsabilidades e contrariei ambições legítimas, defendendo o interesse partidário e a vontade do povo eleitor, confirmado nas urnas de voto. Entre outros concelhos foi assim em Góis e em Soure.
Os portugueses vivem preocupados com a instabilidade governativa e a possibilidade de não terem orçamento, um documento fundamental na gestão e no futuro do País.
E surpreendentemente em Góis o orçamento proposto pela Presidente da Câmara é reprovado em prejuízo dos goienses e com o voto contra de um militante socialista eleito nas listas do PS. Imaginem as consequências se também houvesse disciplina de voto aprovada na Comissão Política Concelhia.
Sempre contrariei o seguidismo e tenho uma certa simpatia pela irreverência. Na Assembleia da Republica cheguei a ser o único deputado a votar contra uma lei em que a declaração de voto originou a apresentação de uma nova proposta de lei, que foi aprovada no Parlamento. E por isso mesmo, fui ler a justificação de voto do vereador desavindo em Góis e afinal o que constatei: mm texto curto e cheio de nada, com afirmações orçamentais tecnicamente irrelevantes; a defesa de um orçamento participativo, um bom princípio mas ainda irrelevante no País. As Câmaras que o assumiram afectaram menos de 2% do orçamento para este fim. Não esquecer que os candidatos apresentam um programa que foi sufragado eleitoralmente; a utilização de rubricas residuais orçamentais reforçadas não é um gasto desnecessário, é uma técnica utilizada por todas as Câmaras e pelo Orçamento de Estado e muitas das vezes são na realidade provisões utilizadas nas alterações orçamentais; as muitas alterações ao Plano e Orçamento não é defeito até pode ser uma grande virtude e uma necessidade, porque flexibiliza a gestão e alarga as opções decisórias; o equilíbrio da receita e despesa independentemente da substancia que representam é uma verdadeira aplicação matemática exigida e imposta na lei orçamental; os Planos Plurianuais são importantes na visão estratégica mas na prática resultaram sobretudo da exigência orçamental para garantia da cabimentação orçamental dos investimentos plurianuais; aprecariedade do emprego municipal resulta infelizmente da necessidade de cumprimento das leis da República e é um problema de todos os municípios.
O desemprego é sobretudo uma responsabilidade de todos, particularmente do governo central e não se resolve com proclamações políticas, exige investimento privado que contribua para o crescimento do Produto Interno Bruto.
De facto a declaração de voto é uma meio cheia de nada e de tudo. E o tudo é apenas a política interna, personalizada, a prejudicar o interesse colectivo do Concelho de Góis.
A ambição também tem o seu tempo.

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