“As pessoas não se arrependeram da mudança de paradigma”

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FOTO DB/JOT'ALVES

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Mira é o máximo de concelho no mínimo de espaço. Por outras palavras, nos seus 124 quilómetros quadrados cabem 12.465 habitantes, turismo de praia, património histórico e edificado, indústria, agricultura, serviços e arte xávega. Este território gandarês do distrito de Coimbra, que faz fronteira com o distrito de Aveiro, está repartido por quatro freguesias: Mira, Praia de Mira, Seixo e Carapelhos. A reforma da Administração Local poupou este município, mas a reorganização do Mapa Judiciário retirou importância ao tribunal local, que, no entanto, mantém-se aberto. Portanto, foram-se os anéis, mas salvaram-se os dedos.

Foi a câmara deste concelho heterogéneo que Raul Almeida (PSD) conquistou em 2013, contra as expetativas, pois tinha como principal concorrente o recandidato João Reigota (PS). Venceu, contudo, não convenceu os mirenses a darem-lhe a maioria absoluta. Não obstante, o jovem autarca tem sabido construir pontes de diálogo com a oposição, sobretudo com os independentes do Movimento Autárquico de Renovação, que não aceitou integrar o executivo, mas tem “apoiado” o executivo camarário na Assembleia Municipal.

Raul Almeida está contente com o resultado de dois anos de mandato. “Isto é ser juiz em causa própria, mas faço um balanço positivo. Durante a campanha eleitoral, costumava dizer, nas minhas intervenções públicas, que havia dois caminhos: aquele que as pessoas já conheciam, que tinha sido percorrido durante muitos anos, e um caminho novo. Penso que as pessoas não se arrependem desta mudança de paradigma”, sintetiza o autarca.

As diferenças

O presidente da Câmara de Mira acrescenta que o grau de satisfação que afirma percecionar nos mirenses relativamente à primeira metade do seu mandato tem origem nas “várias ações e trabalhos que já foram feitos”. “Imprimimos uma nova dinâmica, com objetivos determinados, que esperamos alcançar. Nomeadamente, nas áreas do turismo, desenvolvimento económico e criação de riqueza”, indica.
Que diferenças dignas de destaque existem, afinal, entre os dois caminhos apontados por Raúl Almeida? “No início do mandato, colocámos um grande enfoque na Praia de Mira. Fizemos as obras que, em nosso entender, eram importantes, nomeadamente na marginal que liga as duas praias, que não tinham acessos entre si. Era uma obra estruturante”, exemplifica. Por outro lado, continua: “Fizemos a requalificação urbana da Praia do Poço da Cruz, uma praia desconhecida mas com grande potencial para o desporto náutico”.

Recordes no turismo

O caderno de encargos da primeira metade do mandato inclui ainda a requalificação do Bairro da Valeira, zona histórica da Praia de Mira, com potencial turístico. E também a regeneração urbana do centro da vila de Mira, sede do concelho. Por seu turno, a antiga incubadora de empresas, atual Mira Center, foi salva da iminência de encerrar, ganhando serviços da autarquia, empresas e um protocolo com a Universidade de Coimbra para a economia do mar, realça ainda Raul Almeida.
Caminhando, agora, para as ações imateriais, o presidente destaca o “grande esfoço” feito na promoção turística do concelho, em Portugal e Espanha. “Tem dado frutos”, afirma, apontando para os resultados do verão passado: “Foram batidos todos os recordes de turistas”, nas praias do concelho, garante, baseando-se no eco que lhe chegou das unidades hoteleiras e estabelecimentos de restauração. Isto, não obstante a concorrência mais próxima de Ovar, Tocha (Cantanhede), Ílhavo e Figueira da Foz.

Equilíbrio financeiro com contas em dia

Quando tomou posse, Raul Almeida herdou do seu antecessor João Reigota uma dívida da autarquia que rondava os 2,5 milhões de euros. “É uma dívida relativamente pequena”, reconhece. No entanto, ressalva: “Também herdámos passivos e processo antigos, como foi o caso da incubadora de empresas, com cerca de quatro milhões de euros de dívida e um processo de insolvência”. Entretanto, acrescenta o edil de Mira, “já foram pagos meio milhão de euros e a incubadora está a trabalhar em pleno”.

Em 2014, a dívida foi reduzia em 26 por cento e o prazo médio de pagamento aos fornecedores baixou de 134 para 57 dias. No mesmo ano, adianta ainda o presidente, acabaram-se os pagamentos em atraso e 2015 deverá fechar o ano contabilístico com “números positivos”. Isto é, tudo indica que vai manter-se a trajetória da diminuição da dividida e do prazo de pagamento aos fornecedores. Contudo, Raul Almeida não se compromete começar já a pagar a 30 dias.

As obras realizadas, que incluem o saneamento básico, também entram no balanço contabilístico do executivo camarário, é que, se não tivessem de ser pagas pela autarquia por antecipação, as contas seriam outras. Portanto, no ano fiscal em curso vão ser refletidos os cerca de 1,2 milhões de euros que o município adiantou, relativos aos fundos europeus que vai receber. A propósito, o edil mirense admite: “Nunca perdemos a gestão financeira de vista, mas este ano vamos sentir um aperto maior”.

A Lei dos Compromissos impede que as autarquias gastem o que não têm. “Sou o presidente de câmara que surgiu com a Lei do Compromissos”, humoriza Raul Almeida, uma vez que a legislação é contemporânea do seu mandato. “Tem a vantagem de não se poder gastar mais do que se tem e, por isso, dá frutos na estabilidade financeira da autarquia. No entanto, limita-nos a ação autárquica”, analisa. “Ainda é cedo” para dizer se vai recandidatar-se, mas o autarca admite que “ser presidente da Câmara de Mira tem sido um desafio aliciante”.

Fornecedores recebem mais cedo

Em 2014, a dívida da Câmara de Mira foi reduziDa em 26 por cento. Por seu turno, o prazo médio de pagamento aos fornecedores baixou de 134 dias para 57 dias. No mesmo ano, saliente-se ainda, acabaram-se os pagamentos em atraso. Por outro lado, 2015 deverá fechar o ano contabilístico com “números positivos”. Isto é, explica Raul Almeida, tudo indica que vai manter-se a trajetória da diminuição da dividida e do prazo de pagamento aos fornecedores. Contudo, o presidente não se compromete, começar a pagar já aos fornecedores no prazo de 30 dias.

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