Mortes no naufrágio eram dificilmente evitáveis dizem sindicatos

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FOTO PEDRO AGOSTINHO CRUZ

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A morte de cinco pescadores no naufrágio do arrastão Olívia Ribau, ocorrido na terça-feira à entrada do porto da Figueira da Foz, seria dificilmente evitável devido ao crónico desinvestimento no salvamento costeiro, afirmaram hoje estruturas sindicais.

Em comunicado conjunto enviado à agência Lusa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP) e a Associação Sócio Profissional da Polícia Marítima (ASPPM) afirmam que um país como Portugal, “com aproximadamente 1.800 km de costa, não pode assegurar uma rápida assistência marítima sem dispor de Estações de Salvamento Costeiro devidamente guarnecidas, equipadas, treinadas e em prontidão imediata”.

Na nota, as organizações sindicais relembram o naufrágio da embarcação Luz do Sameiro, ocorrido em 2006, “a 50 metros da praia da Nazaré”, frisando que esse acidente “perante a inércia das autoridades” provocou a morte de seis pescadores e apenas um sobrevivente “e deveria ter resultado na inversão de paradigma, e não o retrocesso que se verificou” nos anos seguintes, acusam.

O SNTAP e a ASPPM estiveram reunidos na manhã de hoje “a refletir sobre as possíveis razões que levaram a uma prestação tardia do socorro aos tripulantes” da embarcação Olívia Ribau “naufragada a poucos metros da costa da Figueira da Foz” e apontam a “acentuada redução do pessoal” do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) que guarnece as 26 Estações Salva-Vidas existentes na costa portuguesa.

“Contam apenas com um efetivo de cerca 60 elementos, dos 130 que prevê o quadro atual, e com média etária acima dos 45 anos”, alertam.

Dizem que existe uma “profunda negligência” da tutela do Sistema Nacional de Busca e Salvamento Marítimo “que tem relegado o investimento em pessoal capacitado, empurrando o socorro a náufragos para os piquetes da Polícia Marítima, a nível nacional”.

“O altruísmo não chega para salvar pessoas”, argumentam, notando ainda que nas regiões autónomas da Madeira e Açores as Estações Salva-vidas “são praticamente inexistentes, não obstante a comunidade local viver, maioritariamente, da atividade marítima”.

As duas estruturas sindicais defendem a revisão “urgente” do Sistema Nacional de Busca e Salvamento Marítimo, ponderando, “até, a eventual mudança de tutela” e manifestam “total disponibilidade” para colaborarem no inquérito à alegada falta de socorro no naufrágio aberto pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra “por forma a esclarecer os órgãos judiciários do total empenho e profissionalismo dos seus representados, que, por inoperância do sistema, se mostrou insuficiente para salvar a vida daqueles pescadores”.

No comunicado, as estruturas representativas dos tripulantes das embarcações salva-vidas e dos agentes da Polícia Marítima exigem a adoção de medidas “para evitar novas tragédias por ausência ou insuficiente prestação de socorro”.

No arrastão Olívia Ribau naufragado na terça-feira à entrada do porto da Figueira da Foz seguiam sete pescadores. Dois foram resgatados com vida por uma moto de água da Polícia Marítima e cinco morreram.

4 Comments

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  2. António João Pinto says:

    Uma verdadeira tristeza a minha indignação para este caso insólito. Tenho pena de estar a viver num país que tem pessoas na sua gestão tão incompetentes, desprovidas de sensibilidade e capacidade de obrigar quem de direito, por não termos na nossa costa pontos de resgate e salvamento, com capacidade de imediato poderem intervir, mais lamentável ainda de termos embarcações do ISN, tais como o Capitão Matracão(nome da embarcação estacionada no porto da Figueira da Foz) INOPERACIONAL por falta de manutenção e por ter pessoas que tem um horário de trabalho das 9h às 17h.
    Tenho muita pena ter pessoas a gerir este país desta forma.

    • José Garcia says:

      Lamento profundamente que alguém mal-informado na sequência de um trágico acidente faça comentários deste tipo. Vamos por partes. A estação funcionar nesse horário apenas quer dizer que é obrigatória a presença de todo o pessoal durante esse período para assegurar o trabalho de manutenção da estrutura e das embarcações caso não haja saídas de prevenção ou emergência. Fora desse horário o pessoal dispõe de telemóveis para serem chamados 24h/365dias. Existem junto da estação três moradias que deveriam ser ocupadas com pessoal do ISN. já agora o salva-vidas oceânico chama-se Patrão Macatrão homenageando um grande homem no salvamento marítimo na Figueira da Foz.

  3. Zé da Gândara says:

    Há dias, um sindicalista dizia nas televisões do burgo que chamar a Polícia Marítima para o socorro de pescadores naufragadas seria como chamar a PSP para apagar um fogo, coisa que a mim me pareceu esquisita, mas também não admira porque se há local para coisas anti-natura, esse lugar é a nossa Tugalândia, pejada de vigaristas e corruptos no topo da pirâmide que dão mau exemplo para as bases (e sem com este comentário ácido querer sequer chamar para esta contenda os ditos sindicalistas).
    Não sendo especialista em Direito, creio que o Código Civil plasma a obrigação de socorro a vítimas de acidentes e em necessidade de auxílio. Naturalmente, quando há um acidente de viação, quem com ele depara, ainda que não eja médico, enfermeiro, socorrista ou bombeiro, tem o dever de auxiliar (neste caso, chamar por socorro) e caso não se preste à maçada de o fazer, incorre no crime de denegação de socorro, que julgo que poderá resultar mesmo em pena de prisão… Será que os ditos sindicalistas já ouviram de relapso falar nisto? Na formação que lhes foi dada não foi ministrado um capítulo de Direito? Ou será que era a primeira aula da manhã e os ditos formandos agora sindicalistas ainda estavam pouco despertos?
    Em última instância e havendo sempre dinheiro dos sucessivos Orçamentos de Estado para negociatas e para encher os bolsos de dinheiro aos amigalhaços em esquemas manhosos, o povo da Cova-Gala deveria construir uma série de forcas na praia e cada vez que algum político da Liga Nós viesse a terras Figueirenses, deveria enforcá-lo na praia para vingar os mortos… A Sôdôtôra Cristas (a brilhante Ministra do Mar e das rezas em grupo com beatas) ainda há pouco se pavoneou pela Figueira e tenho pena que ela não viesse no arrastão que naufragou…

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