Um “emigrante feliz” que foi campeão africano de basquetebol

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Se há emigrantes bem-sucedidos no desporto conimbricense, Norberto Alves é um deles. Talvez até o melhor sucedido de todos, pelo menos nos últimos anos.

Depois de ser vice-campeão em Portugal, ao serviço da Académica, aceitou o desafio para treinar o Recreativo de Libolo e foi campeão nacional e continental, fazendo história pelos angolanos.

“Senti que tinha atingido o topo do que a Académica podia conseguir, face às suas limitações financeiras. Infelizmente, pouco tempo depois, até abandonaram a Liga, já estava eu em Angola. Sinto que fiz uma boa opção, pois, se quisesse continuar a treinar basquetebol, tinha de sair do país”, diz, ao DIÁRIO AS BEIRAS.

Para além disso, “os dirigentes do Libolo vieram a Coimbra” para o convencer. E, “quando alguém vem de tão longe, é porque seguia o meu trabalho, ia vendo, não estava desatento. Senti esse desejo e fui”, explica.

“O Libolo queria ganhar o campeonato, queria ser, pela primeira vez, campeão africano e motivaram-me para o projeto”. E foi assim que deixou Coimbra para uma aventura de emigrante.

A gozar férias na “sua” Coimbra, o técnico é assolado de recordações e lembra que, na Académica “não era profissional”, pois “tinha de conjugar a profissão de professor com os treinos à noite”, o que lhe provocou “um desgaste enorme”, que acabou com problemas de saúde.

Acredita que, naquela altura “o nível que o basquetebol da Académica atingiu ultrapassou as expectativas da cidade”. E, “nesta cidade em que, quando uma equipa quando se mantém de divisão é um sucesso”, a pessoas “não estão preparadas para verem uma equipa ser vice-campeã, lamento dizê-lo”.

O treinador confessa que, pouco tempo depois de aterrar em Angola se sentiu “extremamente infeliz”. “As pessoas devem valorizar o que têm e, depois de a Académica ter sido vice-campeã nacional, não teve nenhum atleta nomeado, nem ninguém reconhecido nos prémios Salgado Zenha”, lembra.

Diz-se “extremamente desapontado com a injustiça”. “Não por falta de reconhecimento ao meu trabalho, mas ao dos jogadores e de um grande presidente que tivemos na altura, o Carlos Gonçalves”.

Capacidade de adaptação

Ir para Angola permitiu “estar num clube profissional”. E, afinal, “tinha de mudar porque conciliar a profissão de professor com a de treinador era impossível”, diz.

Em Angola encontrou “dirigentes de altíssimo nível”. “Aliás, sempre tive a sorte de ter grandes dirigentes”, completa Norberto Alves.

Com “o presidente, Rui Campos, e o diretor-geral para o basquetebol, José Carlos Dias” conseguiu “uma excelente relação profissional e pessoal”, o que é “importante para o sucesso”.

Foi para “um país diferente e uma cidade bem diferente de Coimbra”, mas conta com “uma grande capacidade de adaptação”, o que lhe facilitou a vida. Para além disso, foi recebido por “um povo extremamente simpático”.

Apesar de tudo, “o mais difícil é estar longe da família e dos amigos e das rotinas daqui”. Norberto Alves conta com a companhia da esposa em Angola, “mas a família sempre foi o suporte para o sucesso”. Vale-se “do skype ou outras ferramentas do género, que são verdadeiros aliados para fazer face às saudades”.

Há um mês de férias, começa também a sentir falta de Angola, mas garante que “quase não há saudades”, porque nunca se desliga do basquetebol. “Não me recordo de desligar do basquetebol nas férias. Há sempre uns clinics, umas formações para dar, observar jogadores, etc.”, explica.

Saudades, essas sim, “da equipa”. Mas, também esses vão estando por perto. “Grande parte deles vou acompanhando, porque estão neste momento em estágio em Espanha, para preparar o Afrobasket 2015, prova de seleções em que a Angola quer voltar a ser campeã e ir apurar-se para os Jogos Olímpicos”.

Por Coimbra, Norberto Alves vai “preparando a época, encontrando soluções para reforçar a equipa”, até porque “os objetivos são sempre os mesmos: O clube que treino entra em todas as competições para ganhar e quando assim não acontece, assumimos que não correu bem”.

Não se pode ganhar sempre, “até porque o desporto não é matemática e há outros que querem ganhar”. Mas Norberto Alves diz que tem de dar o exemplo. “Eu, ao nível técnico, sou o líder da equipa. E a melhor coisa que temos quando lidamos com outros é o exemplo. Acho que foi pelo exemplo que estive oito anos a treinar a Académica”, afirma.

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