Opinião – Dia de Portugal (não perfeito)…

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Gil Patrão

Gil Patrão

Ao ver e ouvir o País, transponho para mim a amálgama de sensações e emoções de quem cá vive e sente amargor pelos desvarios de risíveis governantes que comprometem gerações!

Pode voltar a ocorrer, como sucedeu há poucos anos, e aconteceu com a geração de Alcácer-Quibir! Mas tivemos gerações que tomaram Malaca, ancoraram no Japão e falaram mandarim, antes da globalização.

Somos o resultado de sucessivas gerações que aspiraram melhor vida, mas o êxito de cada uma delas depende sempre da sua qualidade humana, e da visão dos políticos que tiver.

Quem se agigantou ao abrir novas fronteiras ao Mundo não deve confinar-se em si, e tem de crer que saberá escolher os melhores governantes que, sabiamente, perscrutem o fluir da vida.

O progresso atual não tem paralelo com o que havia antes de restaurarmos a democracia, mas para a liberdade não saber a pouco, há que garantir que os ideais democráticos se consubstanciam em políticas que promovam educação, cuidados de saúde, justiça e oportunidades de trabalho para todos! Mas, para implementar políticas económicas centradas nas pessoas, vitais para construir a qualidade de vida a que temos direito, há que escolher políticos sagazes, competentes e sérios.

Iremos eleger políticos que tudo terão de fazer para haver maior solidariedade social, minorando desventuras de quem carece de ajuda, apoiando idosos a terem um resto de vida digna, criando políticas de emprego que diminuam o drama dos desempregados e ampliando políticas de desenvolvimento que devolvam aos jovens a alegria sentida quando crianças, e que permitam um futuro risonho a todas as nossas crianças.

Governos democráticos são depositários do querer coletivo, sendo legítimo exigir-lhes que retornem o capital de esperança que lhes confiamos, quando neles votamos. Entre nós, tal é mais exceção que regra, por excessiva tolerância ao erro!

Trago comigo, dentro do peito, a amargura de Portugal não ser perfeito, e a de quem sabe que não transformámos este País num local eleito! A tristeza de ver imensos desempregados e tanta gente a pedir, o desgosto de observar tanta juventude desiludida, triste e acantonada em míseros labirintos ou a emigrar, e a angústia de assistir ao andar cambaleante de quem há muito perdeu toda a esperança, são realidades vergonhosas que, entre outras, nos oprimem por demais o peito!

São sentimentos diversos dos que, noutras eras, outros por certo sentiram quando dobraram o Cabo Bojador e transformaram tormentas aí passadas em futuras esperanças, renascidas depois das borrascas em que lutaram contra a fúria de dantescas ondas, e das mais adversas marés!

Hoje, há outras ondas a vencer nos mares e oceanos que outrora desbravámos, e que banham alguns dos países em que as desigualdades mais imperam… Junto a nós, sucumbem milhares de árabes e africanos ao atravessarem o Mediterrâneo na busca dum sonho, e na ilusão de fugirem a inúmeras guerras, guerrilhas e outras misérias, causadas por tão infames como corrompidos governantes, que se lhes roubam a esperança e tudo arruínam, aos europeus também abatem, ao violarem elementares direitos humanos e ao destruírem a nossa Civilização com tanta barbárie!

Trago comigo, dentro do peito, o amor sentido por Portugal, quer pela gloriosa História quer por acreditar que já iniciámos a consolidação de políticas mais justas, conciliando rigor económico com solidariedade social, para que um dia este seja um local eleito para se viver em paz, prosperidade e em respeito pela condição humana. Trago comigo, dentro de velho peito, mesmo junto a desgastado coração, a esperança e o sonho bem maior de, unidos por indómito querer, lutarmos até ao fim por um renovado Portugal, que para todos seja, … bem mais que perfeito!

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