Opinião – A confusão

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Aires Antunes Diniz

Aires Antunes Diniz

“Sebastião José Ribeiro, filho de Beatriz Ernestina Carneiro, (não era) natural de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança” como informa o Anuário da Universidade de Coimbra de 1916 (p. 243 ), ano em que se formou. Era de facto batizado em Podence no dia 1 de Agosto de 1893, mas tinha nascido em Macedo de Cavaleiros em 2 de Julho desse mesmo ano. Depois como diplomado em Direito foi um Juiz correto e um advogado insubmisso e corajoso, tendo sido em tempos muito difíceis o defensor de Henrique Galvão e depois de Humberto Delgado.

Crítico corajoso do regime, escreveu: “Em trinta anos de reformas e de governo absoluto, a situação encontra-se desamparada de qualquer simpatia de natureza popular. Para vencer (adotemos o eufemismo do governo) umas eleições, teve de mobilizar um exército” .

Também agora podemos dizer que a situação que abrange todos os partidos do arco da governação está “desamparada de qualquer simpatia de natureza popular”. Viu-se isso há um ano na Guarda quando a contestação popular fez entrar em pânico o PR. Aconteceu de novo em Lamego quando os espoliados do BES se deixaram ingenuamente encurralar pela polícia que, pelo número de agentes, mais parecia um exército. Tiveram azar pela ingenuidade com que atuaram e pela inveja latente em todos os empobrecidos pela reforma sem sentido, liderada agora por este governo e iniciada por Sócrates, que vemos também agora ter atuado de má-fé.

E isso viu-se mais uma vez a nível nacional com a venda da TAP e a nível local com a destruição por razão nenhuma da linha da Lousã, obscenamente encerrada como vemos ao caminharmos junto ao Mondego em Coimbra. Faltou-lhes a uns e a outros um advogado que menos ingénuo e mais corajoso, escrevesse: “Os banqueiros António Joaquim Fernandes de Magalhães e José Maria Barbedo de Magalhães é que tiveram neste negócio papel de vulto e foram eles os principais autores da simulação – ou coisa pior – tão mal apreciada por todas as instâncias da justiça nacional” .

Menos ingénuo foi um carneiro em Podence, pois tendo sido roubado aos seus legítimos donos, escondeu-se e esperou que o fossem buscar.

Na verdade, com esta governação, sabemos que a sua atuação é tudo menos de boa-fé, como agora vemos no relato da atuação do “animal feroz” feito por Fernando Esteves em “Cercado”. Tenhamos por isso cautela e sejamos solidários com todos os que esta governação ataca como há muito nos ensinou Bertold Brecht.

Argumentemos também com coragem contra os desmandos do governo.

Também não podemos cair na doentia falta de memória do passado e de falta de sentido do real que vemos por aí a proliferar.
Não acreditemos em mitos urbanos que nos fazem acreditar em gente que mente permanentemente.

Sejamos críticos.

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