Associação estuda impacto psicossocial da esquizofrenia em Montemor

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Esquizofrenia

A Associação Fernão Mendes Pinto (AFMP) vai desenvolver um estudo para conhecer o impacto psicossocial que a esquizofrenia produz no doente e nas respetivas famílias do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra.

Técnicos da Associação vão “identificar as famílias” e “caracterizar o problema” neste município do Baixo Mondego, disse hoje à agência Lusa a diretora de departamento da AFMP e coordenadora da investigação, Conceição Carvalho.

Depois de identificados e caracterizados os casos, serão “aferidas as necessidades e perspetivadas ações de resposta, que visem a melhoria da qualidade de vida dos doentes e pessoas de referência”, adianta a coordenadora do estudo.

O processo de desinstitucionalização na área da saúde mental na Sub-Região do Baixo Mondego “não foi acompanhado por uma reorganização local dos serviços e respostas de continuidade de base comunitária”, sustenta a especialista, sublinhando que nem a comunidade nem as famílias estão “preparadas para receber as pessoas” com aquele tipo de problemas.

A desinstitucionalização na área da saúde mental resultou, essencialmente, do encerramento dos serviços de reabilitação do Hospital do Lorvão, em Coimbra, e do Centro Psiquiátrico e de Recuperação de Arnes, em Alfarelos, no concelho de Soure.

“As políticas atuais em saúde mental perspetivam a comunidade local como o recurso no processo de reabilitação”, mas “o concelho de Montemor-o-Velho carece de respostas sociais direcionadas à pessoa com doença mental, na área da recuperação e reabilitação da pessoa com incapacidade psicossocial, bem como de suporte aos seus familiares e cuidadores”, afirma Conceição Carvalho.

A AFMP pretende intervir na reabilitação psicossocial daquelas pessoas, numa ação que resultará deste estudo e sempre em articulação com os respetivos serviços de saúde.

“Temos de articular a parte social com a saúde”, sintetiza a coordenadora do estudo.

“Até ao momento, estão identificados, no concelho de Montemor-o-Velho, cerca de 80 doentes com diagnóstico de esquizofrenia”, refere Conceição Carvalho, sem contudo possuir dados que lhe permitam adiantar se este número corresponde com rigor à realidade no município.

Há muitas pessoas com doença mental e famílias “completamente desamparadas”, isto é, sem capacidade de resposta para as respetivas situações, afirma Conceição Carvalho, destacando que o problema não atinge apenas o concelho de Montemor-o-Velho, mas a generalidade dos dez municípios que constituem o Baixo Mondego, particularmente Figueira da Foz e Soure.

Apoiado pelo Programa de Financiamento a Projetos pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, o estudo, que será desenvolvido até setembro, conta com a colaboração do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego, designadamente através da Unidade de Cuidados na Comunidade de Montemor-o-Velho, e do Centro de Estudos e Investigação em Saúde Mental Pública, do Centro de Responsabilidade Integrado de Psiquiatria do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

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