Opinião – É inegável que houve assinaláveis progressos

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João Moura

João Moura

As últimas semanas têm sido pródigas em episódios que contribuem para o acentuar da crispação política, o que, sendo expectável no contexto do período de pré-campanha eleitoral que já se vive no país, não pode deixar de suscitar preocupações relativamente às soluções governativas possíveis no quadro do que virá a ser a composição da Assembleia da República na nova legislatura que se avizinha.

É certo que entretanto houve uma clarificação de algumas das orientações programáticas com que a coligação PSD/CDS e o PS se vão apresentar ao eleitorado, mas essa clarificação parece não ter sido suficiente para moderar o tom de um debate que tende a centrar-se cada vez mais no acessório e a esquecer o essencial. E o essencial aqui resume-se necessariamente às vias possíveis para reforçar o crescimento económico e a sustentabilidade das contas públicas, sem comprometer as metas orçamentais a que Portugal está obrigado no quadro da União Europeia.

Independentemente da discussão política que tem vindo a ser feita em torno desta questão, é inegável que houve assinaláveis progressos, como indiciam as mais recentes projeções macroeconómicas, nomeadamente as que apontam uma evolução favorável do PIB e as previstas ao nível da consolidação das contas públicas, comprovando assim que o esforço de ajustamento da economia permitiu não apenas o regresso do país aos mercados e a recuperação da soberania financeira, como criou condições propícias para o abrandamento da austeridade.

Daí que, se é legítimo especular sobre se havia ou não alternativas, as hipóteses aventadas nesse âmbito resumem-se a exercícios meramente académicos que não permitem demonstrar na prática quaisquer vantagens relativamente ao caminho seguido, além de que carecem de qualquer fundamento os enunciados de alguns arautos dos “amanhãs que cantam”, insistindo na ideia de que teria sido possível o país escapar à austeridade.

O que toda a gente já percebeu nesta altura é que a próxima legislatura vai iniciar-se com Portugal numa situação claramente mais favorável daquela que estava em 2011, o que de resto explica que o discurso político tenha entretanto incorporado a adoção de medidas bem menos restritivas, quer o da coligação que suporta o Governo, quer o do principal partido da oposição.

E embora continue a ser vago e muito ambíguo o grau de comprometimento do Partido Socialista com as propostas contidas no cenário macroeconómico que encomendou a uma equipa de economistas, a verdade é que este estudo assenta em pressupostos otimistas e só possíveis de equacionar com a evolução positiva que os principais indicadores macroeconómicos do país têm registado.

Não vejo que melhor elogio possa ser feito ao desempenho e à credibilidade do atual Governo.

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