Opinião – (des)Emprego: a prioridade das prioridades

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Norberto Pires

Norberto Pires

Estou a escrever esta crónica depois de ouvir a experiência recente de emigração de uma ex-colega de curso.

O que ela me relatou trouxe-me à memória outros tempos que pensei não voltariam depois de tantos milhões da Europa, de tantas promessas e de tantas fantasias.

Fiquei com um enorme nó na garganta e triste por ser um dos 10 milhões de portugueses que deixou que isto voltasse a acontecer.

Quando se fala em emprego e taxas de desemprego, de que subiram ou desceram discutindo décimas de ponto percentual para cima e para baixo, etc., penso que as pessoas não têm a noção do descalabro que por aí vai.

Os números são avassaladores e estão a crescer em termos de PRECARIEDADE, o que tem como consequência o aumento da emigração.

1. Existem neste momento em Portugal 3,896 milhões pessoas empregadas a tempo completo, dos quais 2,868 milhões são por conta de outrem e 813 mil são por conta própria – as restantes são outras formas de emprego. Dessas pessoas, 645,5 mil têm contrato a termo certo e 127,9 mil têm outro tipo de contrato. Isto é, no total 773,4 mil pessoas têm um vínculo muito precário. Este número está a subir de forma acelerada (11% de aumento homólogo, quando se compra o 1ºT de 2014 com o 1ºT de 2015). Aliás, pior número que o do 1º trimestre 2015, só o equivalente de 2010 na fase de aceleração para a bancarrota.

2. O número de pessoas com emprego a tempo parcial ascende a cerca de 581 mil, sendo 252 mil o número de pessoas em subemprego a tempo parcial (mais uma forma de precariedade, aumentou 2,9% em termos homólogos).

3. Ou seja, existem 1,025 milhões de pessoas com formas precárias de emprego, ou 1,3 milhões de pessoas se considerar-mos todas as que estão a tempo parcial.

4. O número de pessoas desempregadas é 713 mil.

(Já nem falo no desemprego escondido e que não aparece nas estatísticas)

Não é possível pensar que um país tem futuro com estes números, nem deixar de fazer do desemprego e da precariedade do emprego o problema n.º 1 de Portugal. A fonte destes números é o Boletim de emprego do INE do 1ºT de 2015.

A esse problema adiciona o facto de não existir nenhum tipo de estratégia que vise resolver este problema de forma consistente. O que vejo tenderá a aumentar a carga fiscal agravando ainda mais a vida dos que ainda têm emprego.

O desafio do próximo Governo é o do emprego sem aumentar impostos. James Cameron no Reino Unido prometeu não aumentar nenhum imposto nos próximos 5 anos, obrigando assim a uma verdadeira reforma do país e do Estado. Faz isso num país a crescer 2.9% ao ano e com 6% de taxa de desemprego – isto para evitar comparações abusivas que para aí tenho visto.

Alguém se atreve em Portugal a prometer o mesmo, sob compromisso de HONRA, isto é, demitindo-se caso não consiga? A verdade é que como cidadão, perante a qualidade do discurso e da ação política, tenho sérias razões para estar muito pessimista.

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