Opinião – Não brinquem com a saúde!

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Francisco Queirós

Francisco Queirós

Na manhã da passada segunda-feira, mais de centena e meia de pessoas concentradas na Adémia em Coimbra confirmaram que quem luta pode ou não vencer, mas que quem não luta perde sempre.

Convocados pelo Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos e num “passa palavra” entre vizinhos, utentes da Extensão de Saúde da Adémia concentraram-se à porta do seu posto médico contra a intenção de encerrar o serviço, na sequência e a pretexto da transferência por concurso sem substituição, do único médico aí colocado.

Para a população da Adémia, o encerramento desta Extensão do Centro de Saúde da Fernão de Magalhães, com 2600 utentes, é uma ameaça conhecida. Já em finais de 2013, os utentes travaram outra tentativa de encerramento da sua extensão de saúde.
A população da Adémia exigiu a presença, no local, de um representante da ARS do Centro, que garantisse que o serviço não encerraria. Indignados, os populares, na maioria idosos, empunharam cartazes, onde se lia: “a saúde é um direito sem ela nada feito”, “indignados? sim! submissos? não!”, “não somos resignados estamos indignados”. Ouviram-se palavras de ordem: “o posto médico é nosso, não pode encerrar!”

Simbolicamente, os manifestantes cortaram a Estrada Nacional 111, estrada de ligação à Figueira da Foz e ao IC2, durante cerca de meia hora. Entretanto, a Administração Regional de Saúde comunicava a garantia de que a extensão de saúde se manterá a funcionar com o mesmo médico até 4 de Maio e que serão encontradas outras soluções a discutir em data próxima em reunião com o movimento de utentes.

Desloquei-me ao local onde transmiti a minha solidariedade, enquanto vereador da CDU na Câmara de Coimbra, pela luta das populações em defesa do direito constitucional à saúde.

Após a comunicação da ARS, os manifestantes, cientes de não terem ainda ganho a guerra, mas vencido uma batalha, gritaram vitória, “o povo unido jamais será vencido!” e entoaram a “Grândola”.

No dia seguinte, utentes da Extensão de Brasfemes do Centro de Saúde de Eiras manifestaram-se contra o encerramento desta unidade e a transferência dos seus 1500 utentes para uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF). Depois de já ter encerrado a Extensão do Botão, a ARS quer agora que os utentes de Brasfemes se desloquem cerca de 4 Km para ir ao médico, aconselhando-os, segundo a imprensa, a deslocações em grupo para as consultas na USF.

As populações exigem o acesso à saúde, como garante a Constituição da República, defendendo o Serviço Nacional de Saúde. “Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover” (art. 64.º da CRP). As imagens das primeiras páginas dos jornais regionais desta semana fazem eco desta luta.

E se dúvidas houvesse, percebe-se bem o quanto ganharia o governo com a delegação de competências na área da saúde, e ainda da cultura, educação e segurança social, nas Câmaras Municipais. O governo, demolidor do SNS e de outros serviços públicos, fugia com o rabo à seringa, desresponsabilizando-se das suas obrigações constitucionais. As populações protestariam e exigiriam o cumprimento dos seus direitos, no local errado, à porta da autarquia.

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